
Em Rio das Ostras e em toda a Região dos Lagos, a busca por hábitos saudáveis que melhorem a qualidade de vida é constante. Uma prática simples, como dedicar 15 minutos diários a jogos de raciocínio no celular, pode trazer benefícios significativos para a memória e a saúde mental, indo além do que se imagina.
Essa rotina de exercitar a atenção e a lógica durante uma pausa no dia a dia é uma forma eficaz de combater o sedentarismo mental. Contudo, é fundamental entender que esses desafios não são uma solução mágica para a memória, mas um complemento valioso a um estilo de vida equilibrado.
Em entrevista, o neurologista Sérgio Jordy, da Rede D’Or e diretor do Centro Médico Sinapse, explica que os jogos estimulam funções cognitivas específicas. Ele ressalta que o treino mental só traz benefícios reais quando combinado a hábitos como sono de qualidade, exercícios físicos e convivência social.
“Não existe uma dose universal, mas a orientação geral é praticar de 20 a 30 minutos, de três a cinco vezes por semana”, afirma o especialista, oferecendo um guia prático para quem deseja iniciar ou manter essa rotina.
O impacto dos jogos de raciocínio no cérebro
Quando você se dedica a resolver um jogo de lógica, o esforço mental desencadeia a liberação de substâncias cruciais para o funcionamento cerebral. Entre elas, destacam-se a dopamina, ligada à motivação, e a acetilcolina, essencial para o foco e a atenção. Além disso, a atividade impulsiona a produção de BDNF, uma proteína que auxilia no nascimento e no fortalecimento das conexões entre os neurônios.
“Esses jogos treinam algumas áreas da cognição específicas, mas não o cérebro em geral”, frisa o neurologista. Ele complementa que a prática pode causar uma estimulação com liberação de neurotransmissores, além de promover uma alteração na conformação cerebral com novas conexões nas regiões exigidas pela tarefa.
Essas adaptações físicas podem ser observadas em exames de imagem, que revelam pequenas mudanças na estrutura cerebral de quem pratica exercícios mentais. Jordy destaca que esse processo de reorganização neural depende diretamente do aprendizado ativo e contínuo.
“Alguns estudos demonstram que existem pequenas alterações mensuráveis na substância cinzenta, com até um leve aumento de volume e mudanças nas conexões, porque cada habilidade ou circuito novo estimulado forma novas conexões”, explica o neurologista.
Uma pesquisa publicada no Journal of Pharmacy and Bioallied Sciences, por exemplo, apontou que os jogos de raciocínio geram aumentos mensuráveis no volume da matéria cinzenta e na espessura cortical. O estudo sugere que o esforço mental focado ativa áreas ligadas diretamente à atenção, à lógica e à tomada de decisões.
Para que essas alterações biológicas ocorram, o jogo precisa tirar a mente da zona de conforto. No entanto, insistir em níveis inacessíveis pode causar frustração e elevar os níveis de estresse, anulando os ganhos cognitivos e prejudicando a saúde mental. Por isso, a frequência em sessões curtas é fisiologicamente mais eficiente do que tentar compensar a falta de treino em maratonas exaustivas nos fins de semana.
“Se a pessoa faz um treinamento muito exaustivo, vai causar um estresse grande e isso vai ser prejudicial”, afirma o especialista. “O ideal é ter um equilíbrio e manter uma certa frequência com um desafio sempre novo, que gere ativação cerebral constante”, acrescenta Jordy.
Maximizando os benefícios em 15 minutos
Para extrair o máximo das suas pausas diárias, a dica principal é evitar que o jogo se transforme numa tarefa mecânica. Quando uma fase fica fácil demais e você consegue resolver sem pensar muito, o cérebro entra no piloto automático e a neuroplasticidade estaciona. Para que o estímulo continue gerando conexões neurais, é necessário que o desafio exija esforço ativo de raciocínio e mantenha a mente em estado de alerta.
A alternância de modalidades ao longo da semana é a melhor estratégia para evitar essa acomodação e não viciar o cérebro num único padrão. Alternar entre jogos focados em números, como Sudoku, e modalidades espaciais ou estratégicas, como Campo Minado e Lig 4, força o cérebro a recrutar diferentes redes neurais. Para os moradores do Norte Fluminense e da Costa do Sol, que buscam manter a mente ativa, essa diversificação é chave.
O neurologista explica que mudar de atividade é mais eficaz do que insistir na mesma lógica por horas. “Variar o tipo de jogo e buscar um aumento de complexidade, como a criação de novas estratégias, são caminhos mais interessantes do que simplesmente trocar de jogo de forma compulsiva”, explica o especialista.
A eficiência dessa diversificação aparece em exames de monitoramento cerebral. Um estudo da Translational Neuroscience, que usou espectroscopia para mapear a atividade cerebral durante o Sudoku, mostrou que a tarefa exige um trabalho intenso do córtex pré-frontal. Esta é a região responsável por formular regras de lógica e tomar decisões rápidas. Ao mudar para um jogo de cartas como Paciência, a exigência se desloca para o planejamento e para a memória de trabalho, o que ativa outras vias neurais.
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