A manhã desta quarta-feira (26) terminou em tragédia na Rodovia do Contorno, em Rio das Ostras. Um jovem de 19 anos morreu depois que a charrete em que estava foi atingida por um caminhão no trecho próximo ao condomínio conhecido como “Romário”. A colisão também matou o cavalo que puxava o veículo.
A vítima foi identificada como Flávio Tavares Costa, natural
de São Francisco de Itabapoama. Ele não resistiu aos ferimentos provocados pelo
impacto e morreu ainda no local do acidente.
As circunstâncias da colisão ainda estão sendo apuradas.
Informações iniciais indicam que o caminhão envolvido teria deixado o local sem
prestar socorro. A dinâmica do acidente e a possível identificação do veículo e
do motorista serão investigadas pela Polícia Civil.
O corpo de Flávio foi removido e encaminhado ao Instituto
Médico Legal (IML) de Macaé. O caso foi registrado na Delegacia de Rio das
Ostras, que deverá reunir informações e imagens que possam ajudar a esclarecer
o que aconteceu.
Mais uma tragédia em uma rodovia que voltou a preocupar
moradores
O acidente reacende a preocupação de moradores e motoristas
que utilizam diariamente a Rodovia do Contorno, também conhecida como Rodovia
Engenheiro Luiz Gonzaga. A via passou por obras de recuperação e revitalização
entregues em abril deste ano, mas novos acidentes e problemas estruturais
continuam sendo registrados no trecho.
Somente em agosto, segundo levantamentos e registros
acompanhados pelo Rio das Ostras Jornal, duas pessoas já morreram em acidentes
ocorridos na rodovia. Outros episódios também chamaram a atenção desde a
conclusão das intervenções, aumentando a cobrança por medidas que garantam mais
segurança para quem circula pela região.
Um dos pontos que mais preocupa é a ausência de acostamento
adequado em determinados trechos. No sentido Serramar, há locais onde o espaço
lateral é insuficiente. No sentido contrário, em direção ao bairro Harmonia, a
situação também chama atenção, especialmente nas proximidades do condomínio
onde ocorreu o acidente desta quarta-feira.
A configuração adotada após a revitalização também é motivo
de questionamentos. A rodovia foi duplicada, mas não recebeu um canteiro físico
separando as pistas de sentidos opostos. A divisão é feita por sinalização
horizontal, com linhas amarelas, o que mantém os veículos próximos em uma via
de intenso movimento.
Problemas de iluminação e infraestrutura continuam no
radar
Além das condições de circulação, a iluminação da Rodovia do
Contorno já foi alvo de reclamações e reportagens. A própria Prefeitura de Rio
das Ostras informou anteriormente que uma etapa posterior das intervenções
deveria contemplar o recuo de postes e a solução de um problema considerado
crônico no sistema de iluminação da estrada.
A previsão envolve a extensão da rede de média tensão e a
substituição de cabeamento danificado, medidas necessárias para melhorar a
eficiência do sistema e garantir condições adequadas de iluminação ao longo da
rodovia.
As questões estruturais ganham ainda mais importância diante
do volume de veículos que circula pelo trecho e da presença de moradores,
trabalhadores e outros usuários que utilizam a estrada diariamente.
Sem ciclovia, usuários ficam ainda mais expostos
Outro problema que preocupa quem utiliza a Rodovia do
Contorno é a ausência de uma ciclovia ou de uma faixa segregada destinada aos
ciclistas. Mesmo após as obras de revitalização e duplicação, a estrada
continua sem uma estrutura específica para proteger quem utiliza a bicicleta
como meio de transporte.
A situação se torna ainda mais preocupante em uma rodovia
com circulação de caminhões, ônibus, carros e motocicletas. Sem espaço
exclusivo e protegido, ciclistas ficam próximos ao fluxo de veículos,
aumentando a sensação de insegurança e a exposição ao risco de acidentes.
O problema não se limita aos ciclistas. A ausência de
estruturas adequadas para diferentes formas de deslocamento também afeta
pedestres, usuários de veículos de tração animal e outros moradores que
precisam utilizar a rodovia para chegar a seus destinos.
Na prática, a duplicação aumentou a capacidade de circulação
da estrada, mas a falta de ciclovia, de acostamentos adequados em determinados
pontos e de outras estruturas de segurança mantém a preocupação entre os
usuários. Para moradores, não basta ampliar a pista: é necessário garantir que
a rodovia seja segura para todos.
A sequência de acidentes registrada desde a recuperação da
estrada reforça a necessidade de uma avaliação mais ampla do projeto,
considerando não apenas o fluxo dos veículos motorizados, mas também a
realidade de quem circula diariamente pela região sem estar protegido dentro de
um automóvel.
Moradores cobram mais segurança
Depois de mais uma ocorrência fatal, moradores da região
voltam a cobrar providências. Entre as principais reivindicações estão o
reforço da sinalização, melhorias nos acostamentos, iluminação eficiente e
adoção de medidas que reduzam o risco de colisões.
A preocupação é que a duplicação, embora tenha ampliado a
capacidade da via, não tenha sido acompanhada de todas as estruturas
necessárias para garantir segurança aos diferentes usuários da rodovia.
Com a sequência de acidentes e mortes, moradores passaram a
chamar o trecho, de forma preocupada, de “Rodovia da Morte”, numa demonstração
da sensação de insegurança vivida por quem precisa utilizar a estrada.
O acidente desta quarta-feira reforça a necessidade de
esclarecer as circunstâncias da colisão e, principalmente, de avaliar se as
condições atuais da Rodovia do Contorno são suficientes para evitar novas
tragédias.
A investigação deverá apontar as circunstâncias do acidente,
identificar o caminhão envolvido e esclarecer se houve ou não omissão de
socorro por parte do motorista.

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