
A indústria de transformação brasileira vive um período de acentuado declínio, contrastando fortemente com o sucesso do agronegócio e a média global. Essa disparidade, que impacta diretamente a geração de empregos e o desenvolvimento econômico em regiões como Rio das Ostras, Macaé e em todo o Norte Fluminense, é atribuída principalmente a políticas tributárias desiguais.
Dados recentes do IBGE revelam que a participação dos manufaturados no PIB nacional despencou de 16,5% em 2008 para 10,9% em 2014, mantendo-se em 10,8% em 2024. Essa queda brutal coloca o Brasil em desvantagem até mesmo em sua órbita regional, superado por países como México, Argentina e Venezuela na manutenção da relevância industrial.
Desempenho da Indústria Brasileira no Cenário Global
Entre 2000 e 2017, o valor dos produtos manufaturados no mundo mais que dobrou, saltando de 6,3 trilhões para 13,2 trilhões de dólares. Apesar dessa expansão global, a contribuição do setor manufatureiro para a produção econômica mundial declinou de 25% em 1970 para 16% em 2017. No Brasil, contudo, o mergulho foi ainda mais profundo, atingindo 10,9% em 2014.
A desvalorização da indústria em relação ao setor de serviços também se refletiu no mercado de ações. Em 2019, o Facebook ostentava um valor de mercado de 575 bilhões de dólares, enquanto a Toyota, uma das maiores produtoras de carros do mundo, valia cerca de um terço desse montante. No entanto, a indústria manufatureira permanece crucial para a saúde econômica de um país, sendo o setor que mais gera empregos bem remunerados.
Para ilustrar, o Facebook empregava 43 mil pessoas em 2019, enquanto a Toyota contava com cerca de 370 mil funcionários no mesmo ano fiscal. Mesmo com a queda de participação no PIB, as quatro maiores economias do mundo (China, EUA, Alemanha e Japão) continuam sendo as maiores potências manufatureiras, respondendo por 60% da produção mundial do setor em 2018.
A Carga Tributária: O Calcanhar de Aquiles da Indústria
O caso brasileiro é peculiar, exibindo uma espécie de esquizofrenia na política econômica: acertada para o agronegócio e equivocada para a indústria de transformação. A raiz do problema reside na disparidade da carga tributária absorvida por cada setor. Enquanto o agronegócio arca com apenas 6% de impostos, a indústria tem enfrentado, por décadas, uma carga superior a 45%.
Essa diferença brutal na tributação é, em grande medida, resultado da atuação política dos setores. O agronegócio, com uma bancada de 200 deputados federais, defende seus interesses de forma coesa, mantendo sua carga tributária em patamares baixos. A indústria, sem o mesmo peso político no Congresso, viu sua capacidade de investimento e modernização ser esvaziada pela alta extração tributária do governo. A única redução significativa, para cerca de 32%, ocorreu por iniciativa do ex-ministro Paulo Guedes.
Visão de Futuro: Modernização e o Papel da CNI
Apesar do cenário desafiador, há esperanças para a indústria brasileira. O presidente da CNI – Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, em um evento na FIRJAN - Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, datado de 14 de agosto de 2026, e em entrevista à CNN, demonstrou uma visão articulada para reconfigurar a imagem da indústria e redinamizar sua participação no PIB nacional.
Alban busca apoio em consultorias renomadas, como a McKinsey, para modernizar o setor e superar a estagnação nos 11% de participação no PIB, bem abaixo da média mundial de 16%. Ele destacou o potencial da computação quântica, uma área avançada da ciência capaz de processar informações em velocidade vertiginosa e resolver problemas complexos que levariam anos com métodos tradicionais.
O presidente da CNI elogiou o agronegócio por sua capacidade de incorporar técnicas de ponta, sem defasagem em relação ao resto do mundo. A baixa carga tributária do agronegócio liberou recursos para investimentos em modernização, algo que não ocorreu na indústria. A lição implícita é clara: a atuação política do agronegócio no Congresso foi fundamental para manter sua carga em 6%, um dever de casa que a indústria ainda precisa cumprir para garantir seu futuro.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e as discussões sobre o futuro da indústria na Região dos Lagos e em todo o Interior do RJ.
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