Ciberataques de "password spraying" disparam 15.400% e expõem falhas em sistemas corporativos | Rio das Ostras Jornal

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Ciberataques de "password spraying" disparam 15.400% e expõem falhas em sistemas corporativos

Ciberataques de "password spraying" disparam 15.400% e expõem falhas em sistemas corporativos

Empresas em Rio das Ostras, Macaé e em toda a Região dos Lagos estão sob alerta máximo após um aumento alarmante de 15.400% nos ataques cibernéticos de “password spraying” no primeiro semestre de 2026. A tática, que visa burlar sistemas de segurança corporativos, foi detalhada em uma análise recente da empresa de segurança cibernética Huntress Labs, que identificou um salto de 155 vezes nesse tipo de invasão em comparação com períodos anteriores.

O levantamento da Huntress, divulgado em junho e atualizado nos meses seguintes, aponta que os invasores estão utilizando uma estratégia articulada para acessar redes corporativas sem acionar os alarmes tradicionais de segurança. Essa abordagem representa uma ameaça significativa para negócios de todos os portes, incluindo aqueles no Norte Fluminense e na Costa do Sol, que dependem cada vez mais de infraestruturas digitais.

Como funciona a pulverização de senhas

A tática de “password spraying” (pulverização de senhas) opera de forma “baixa e devagar”, diferenciando-se do método clássico de força bruta. Em vez de tentar milhares de combinações de senhas contra uma única conta até bloqueá-la, os cibercriminosos reúnem uma lista de nomes de funcionários e testam poucas senhas comuns. Exemplos incluem “123456”, combinações com o nome da empresa ou termos sazonais inspirados nas estações do ano, como “winter2026” ou “summer2026”.

Como as tentativas são espaçadas e distribuídas por vários logins, os sistemas de defesa não conseguem identificar um ataque concentrado, deixando a porta aberta para a invasão. O principal alvo desse crescimento foi o Azure CLI, um painel em modo texto usado por equipes de tecnologia para administrar serviços e servidores na nuvem da Microsoft.

Em um período de menos de duas semanas, entre 12 e 26 de junho de 2026, os analistas da Huntress mapearam mais de 81 milhões de tentativas de conexão ligadas a um grupo específico de invasores. O resultado foi a violação de 78 contas corporativas em 64 empresas, demonstrando a eficácia e o alcance dessa nova onda de ataques.

Falhas na autenticação em duas etapas

Para romper as defesas, os invasores cruzaram listas antigas de senhas vazadas na internet com uma porta de entrada obsoleta conhecida como Resource Owner Password Credentials (ROPC). Este protocolo antigo, criado para facilitar a transição de programas legados para a internet moderna, não possui suporte para telas interativas de autenticação em duas etapas (MFA).

Quando a senha coincide, o sistema libera a entrada direta sem pedir a segunda confirmação no celular do usuário, contornando uma das principais barreiras de segurança. A maioria das organizações afetadas possuía políticas de acesso condicional, mas a forma como foram configuradas não cobria as técnicas utilizadas pelos criminosos nesta campanha.

Andrew Brandt, especialista principal de inteligência e resposta a incidentes da Huntress, explicou que o ROPC é, tecnicamente, um método de impersonação. “O invasor não pede permissão para entrar como um visitante autorizado, ele simplesmente assume a identidade do usuário e passa direto”, descreveu Brandt, ressaltando a gravidade da brecha.

A investigação revelou que a verificação em duas etapas, mesmo quando ativada, não garantiu a segurança de grande parte das vítimas. No pico dos ataques, em 22 de junho, das 23 empresas examinadas, oito não tinham nenhuma camada de dupla proteção instalada. Nas outras 15, a autenticação em duas etapas estava presente, mas com falhas de configuração.

Em alguns casos, a regra protegia apenas diretores e administradores, deixando funcionários comuns desprotegidos. Em outros, o sistema exigia o segundo fator em portais administrativos gerais, mas não cobria os painéis remotos de comando da nuvem. Houve ainda redes programadas para ignorar a checagem em conexões consideradas locais de confiança, brecha que os invasores driblaram ao disfarçar a localização dos computadores.

Rich Mozeleski, gerente de produtos da Huntress, alertou para a necessidade de vigilância constante e calibração precisa dessas defesas corporativas. “O acesso condicional adequadamente configurado e gerenciado é um superpoder. O problema é que ajustar essas regras sem bloquear os funcionários legítimos no dia a dia é um desafio grande, e essa dificuldade é exatamente o motivo pelo qual a tática dos criminosos continua funcionando”, pontuou.

As conexões partiram inicialmente de endereços de rede fornecidos pela empresa LSHIY LLC. Embora a operadora tenha cancelado os contratos dos invasores após alertas da Huntress, o grupo simplesmente transferiu a estrutura para outros servidores de internet e continuou os disparos. A única saída definitiva, segundo especialistas, é fechar as brechas internas: desativar protocolos antigos de login, cortar o acesso a painéis de controle para funcionários que não precisam deles e exigir a verificação em duas etapas para todos os usuários e programas, sem exceções.

O Rio das Ostras Jornal acompanha as notícias sobre segurança digital e seus impactos na Região dos Lagos e no Norte Fluminense. Para mais informações sobre segurança em ambientes Microsoft Azure, consulte a documentação oficial da Microsoft Learn.

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