
A Bolívia enfrenta uma escalada de tensão política e social, com a capital La Paz no epicentro de intensos protestos antigoverno. Nesta segunda-feira (18), o país registrou 23 bloqueios em rodovias, mantendo a pressão pela renúncia do presidente Rodrigo Paz, que está há apenas seis meses no cargo. O levantamento foi divulgado pela Administradora Boliviana de Estradas (ABC), evidenciando a paralisação que afeta diversas regiões.
A maior parte das interdições, totalizando 13 estradas fechadas, concentra-se nos arredores de La Paz. Além da capital, manifestantes bloquearam vias de acesso às cidades de Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba. A mobilização em massa tem gerado escassez de alimentos, combustíveis e outros insumos essenciais nos mercados da capital, impactando diretamente a vida da população boliviana.
Escalada da Tensão e Repressão em El Alto
A situação se agravou durante o final de semana, com a polícia reprimindo protestos em diversos pontos da cidade de El Alto, na região metropolitana de La Paz. No sábado (16), a Defensoria Pública da Bolívia informou que os confrontos resultaram em 47 prisões e cinco pessoas feridas. Além disso, grupos campesinos denunciam o assassinato de, pelo menos, dois manifestantes em El Alto, elevando o clima de indignação.
O defensor público Pedro Callisaya relatou que houve também ataques e obstrução ao trabalho da imprensa, além de confrontos entre manifestantes e moradores em alguns dos pontos de bloqueio. A violência marca a resposta do governo aos crescentes movimentos de contestação.
Origens da Revolta Popular
O país andino vive uma onda de protestos e bloqueio de estradas que se transformou, ao longo das últimas semanas, em uma revolta popular com participação de camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros setores sociais. Uma série de decisões do novo presidente boliviano, que assumiu o poder após quase 20 anos de hegemonia da esquerda, vinha provocando protestos no país desde o início do mandato, em dezembro de 2025, com um decreto que retirava o subsídio à gasolina.
Os protestos escalaram depois que o governo promulgou uma lei sobre terras, que camponeses e indígenas acusam de prejudicar pequenos agricultores em favor de grandes empresários do agronegócio. Embora o governo alegasse que a lei buscava fortalecer a agricultura do país em meio a uma grave crise econômica, a pressão popular levou Rodrigo Paz a revogá-la na semana passada. Contudo, a revogação não foi suficiente para acalmar os ânimos, e os protestos continuaram, ganhando novas adesões.
Acusações e Contrapontos: Governo e Movimentos Sociais
A Confederação Nacional de Mulheres “Bartolina Sisa”, uma das principais organizações camponesas do país, convocou todas as organizações locais a se juntarem às marchas e aos bloqueios. A entidade denunciou que o governo reprime os protestos enquanto diz estar aberto ao diálogo, e pede a renúncia de Paz, que, segundo a Confederação, perdeu as condições de governar a Bolívia.
“De forma violenta e criminosa o governo interveio na mobilização do povo deixando como saldo falecidos, feridos e detidos em consequência da brutalidade da polícia e do Exército”, afirmou a Confederação campesina em nota. A organização acusa o governo de trabalhar apenas para um setor privilegiado, esquecendo-se das maiorias e de pretender “tirar nossas terras para entregar aos latifundiários”.
Por outro lado, o governo acusa movimentos populares de usarem armas de fogo, inclusive dinamites, nas mobilizações. Um suposto vídeo dos Ponchos Vermelhos, grupo campesino da Bolívia, foi divulgado, mostrando membros com espingardas em uma rodovia e gritos de “não temos medo” e “vamos defender a pátria”. O porta-voz da Presidência da Bolívia, José Luis Gálvez, acusou grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales de incitarem a violência, prometendo prisão para quem portar armas ou dinamite.
Lideranças Reagem à Crise
O ex-presidente Evo Morales respondeu às acusações, afirmando que os protestos são do povo boliviano, não dele. Ele denunciou o governo por usar as Forças Armadas para reprimir a população e criticou a criminalização das marchas. “Os eternos golpistas, assassinos em massa, traidores e executores da Operação Condor têm a audácia de clamar que a democracia está em risco”, declarou em uma rede social.
A Central Operária Boliviana (COB), principal central sindical do país, também denunciou a prisão de lideranças e conclamou a população a seguir nas ruas. “Não nos vão curvar na luta que travamos; estão querendo nos calar como liderança com ações populares e processos penais”, afirmou Mario Argollo, secretário-executivo da COB, em uma rede social.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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