Declaração ocorreu nesta segunda-feira (9) durante a
assinatura de acordos entre Brasil e África do Sul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
afirmou nesta segunda-feira (9) que o Brasil
e a África do Sul precisam ampliar a cooperação em defesa e se
preparar para possíveis ameaças, mesmo sendo regiões historicamente
comprometidas com a paz.
A declaração foi feita durante cerimônia no Palácio do
Planalto, em Brasília, ao lado do presidente sul-africano Cyril
Ramaphosa, quando os dois países assinaram novos acordos bilaterais.
“Nós,
da América do Sul, nos colocamos como uma região de paz. Nossa
tecnologia não é para a guerra. Mas, se a gente não se preparar para a questão
da defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, disse Lula.
A frase do petista coincide com um período em que os Estados
Unidos, de Donald Trump, coordenaram ataques a dois países na América do Sul e
no Oriente Médio.
Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram uma
operação militar na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás
Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação incluiu ataques aéreos e a
presença de forças americanas no Caribe, com alvos em instalações militares
estratégicas próximas a Caracas.
Já no Oriente Médio, o governo de Donald Trump ordenou, em
junho de 2025, ataques contra instalações nucleares do Irã — como Fordow,
Natanz e Isfahan — utilizando bombas de grande potência. A ofensiva se
intensificou em 2026 com novas operações militares em conjunto com Israel, que
culminaram na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, ampliando o
conflito e elevando a tensão na região.
Brasil e África do Sul
O encontro marcou um movimento para aprofundar a parceria
estratégica entre Brasil e África do Sul, com foco em áreas como comércio,
agricultura, turismo, investimentos e cooperação cultural.
Lula destacou que os dois países também atuam juntos em
fóruns internacionais como o Brics e o G20, defendendo uma ordem global mais
equilibrada e baseada no multilateralismo.
“Temos muitas similaridades com o Brasil, assim como eles
têm conosco. Temos muito a aprender com o país, especialmente nas áreas de
tecnologia e de agricultura”, comentou.
Ramaphosa agradeceu a recepção e classificou a reunião como
produtiva. “Fomos recebidos de forma afetuosa e tivemos discussões construtivas
esta manhã”, afirmou.
O líder sul-africano também reforçou o compromisso dos dois
países com a resolução pacífica de conflitos no Oriente Médio.
“Condenamos a perda de vidas, principalmente de civis, nessa
parte do mundo, e pedimos um cessar-fogo imediato.”
Além disso, ele acredita que o Brasil pode funcionar como
uma porta de entrada para ampliar a presença comercial sul-africana na América
do Sul e no Caribe.
“A liderança do presidente Lula fortaleceu as bases da nossa
parceria estratégica. Vemos o Brasil como um parceiro estratégico e valorizamos
seu apoio em várias questões do nosso continente. Trata-se de uma relação de
fortalecimento mútuo”, disse.
Acordo assinado
Durante a cerimônia no Planalto, Brasil e África do Sul
formalizaram iniciativas de cooperação em diferentes áreas. Entre elas:
- Renovação
por quatro anos do Plano de Ação em Turismo, com foco em ampliar
viagens de lazer e negócios entre os dois países;
- Acordos
nas áreas de comércio e investimentos, incluindo o avanço na conclusão
do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos;
- Cooperação
no agronegócio, com compartilhamento de boas práticas e colaboração em
saúde animal por meio do Grupo de Trabalho de Cooperação Agrícola;
- Ampliação
do intercâmbio cultural entre as duas sociedades.
Lula também destacou o potencial de cooperação na exploração
de minerais críticos, considerados estratégicos para a transição
energética, afirmando que os recursos podem gerar riqueza e ampliar o
conhecimento tecnológico nos dois países.
R7

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