
Na noite desta quinta-feira, o Cine Brasília será palco de um evento marcante para o cinema brasileiro: o lançamento da publicação Cinemateca Negra. A iniciativa, promovida pelo Instituto NICHO 54, busca sistematizar dados sobre o cinema negro no Brasil, reunindo mais de mil filmes dirigidos por pessoas negras entre 1949 e 2022. O evento, que começa às 19h, será gratuito e incluirá a exibição de um filme e um debate com pesquisadoras e realizadoras.
Um acervo de mais de mil filmes
A Cinemateca Negra apresenta um levantamento de 1.104 filmes, incluindo curtas, médias e longas-metragens. A pesquisa revela que 83% dessa produção ocorreu a partir de 2010, destacando um crescimento recente, apesar das dificuldades históricas de acesso a financiamento e estrutura, especialmente para longas-metragens.
O papel do Instituto NICHO 54
O Instituto NICHO 54, liderado por Fernanda Lomba, tem desempenhado um papel crucial na articulação e suporte a profissionais negros no setor audiovisual. Inicialmente focado em formação, mercado e curadoria, o instituto expandiu suas atividades para incluir pesquisa e incidência internacional. Lomba destaca que a produção de dados qualifica o debate e facilita decisões na gestão pública, além de abrir novas oportunidades.
Pesquisa e impacto cultural
A pesquisa que resultou na Cinemateca Negra envolveu oito pesquisadores ao longo de mais de um ano. O trabalho reuniu informações de catálogos de festivais, mostras, cursos, arquivos digitais, publicações acadêmicas e contatos diretos com realizadores. Segundo Lomba, a publicação oferece um panorama consistente dos filmes dirigidos por pessoas negras no Brasil, transformando o campo da curadoria e possibilitando novas pesquisas e mostras temáticas.
Diálogo e preservação da memória
O evento de lançamento incluirá um debate sobre preservação da memória e produção audiovisual negra, com a participação de Bethânia Maia, Lila Foster e Manuela Thamani. O longa Insubmissas, que aborda trajetórias de mulheres autoras entre cinema e literatura, será exibido na sequência. O filme, dirigido por Ana do Carmo, Julia Katharine, Luh Maza e Tais Amordivino, teve estreia no Festival do Rio de 2024.
Ferramenta estratégica para o futuro
A Cinemateca Negra não é apenas um registro histórico, mas uma ferramenta estratégica para políticas públicas, formação de público e fortalecimento institucional do setor. Com prefácio da ministra da Cultura, Margareth Menezes, a publicação traz recortes sobre direção, codireção interracial, gênero e listas de profissionais identificados na pesquisa. A iniciativa promete ampliar o acesso à memória audiovisual negra e abrir novos caminhos para o cinema brasileiro.
O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando o impacto dessa iniciativa e outras novidades do cinema nacional. Fique atento para mais informações e análises aprofundadas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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