Caso Master: Vorcaro troca de advogado e abre brecha para possível delação premiada | Rio das Ostras Jornal

Caso Master: Vorcaro troca de advogado e abre brecha para possível delação premiada

 

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março

Criminalista especializado no benefício, José Luís Oliveira Lima entra na defesa do banqueiro no lugar de Pierpaolo Bottini

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma troca em sua defesa nesta sexta-feira (13). O advogado Pierpaolo Bottini deixa a equipe para a entrada de José Luís Oliveira Lima, conhecido como Dr. Juca. Com a mudança, abre-se a possibilidade de o banqueiro fazer um acordo de delação premiada.

Bottini era contra o uso do benefício como estratégia jurídica. Diferente do Dr. Juca, que é especializado em delação premiada. O advogado também defende o general Walter Braga Netto, condenado a 26 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.

Dias depois de ser preso, Vorcaro havia feito uma sondagem inicial com investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) sobre a possibilidade de fazer um acordo de delação premiada. Segundo informou o portal UOL, o estágio das tratativas é inicial e ainda não houve a assinatura de um termo de confidencialidade, que formaliza esse tipo de negociação.

A mudança na defesa de Vorcaro se deu depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão do banqueiro. Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator André Mendonça. Dias Toffoli se declarou suspeito para participar do julgamento. Falta votar o presidente da Corte, Gilmar Mendes.

Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, teve o seu encerramento forçado.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. O dono do Master foi detido novamente em 4 de março.

Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

JP

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