A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (17) uma operação para investigar o vazamento de dados sigilosos da Receita Federal do Brasil envolvendo autoridades públicas, entre elas ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
De acordo com o STF, houve “diversos e múltiplos acessos
ilícitos” ao sistema da Receita Federal, sem justificativa funcional. A
apuração foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito
do inquérito das Fake News, instaurado em 2019 para investigar ataques
coordenados contra magistrados.
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos
estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A investigação teve início após
relatório da própria Receita encaminhado ao Supremo indicar a existência de um
“bloco de acessos” considerados atípicos pelas áreas técnicas do órgão.
Segundo a Corte, os fatos podem se enquadrar, em tese, no
crime de violação de sigilo funcional, previsto no artigo 325 do Código Penal.
A Procuradoria-Geral da República apontou que os acessos apresentam indícios
compatíveis com esse tipo de delito.
O STF destacou ainda que o caso não se limita à violação
individual de dados fiscais, mas pode envolver a exploração fragmentada e
seletiva de informações sigilosas com o objetivo de gerar suspeitas artificiais
contra autoridades, sem contexto e sem controle judicial.
A Corte também divulgou os nomes dos quatro servidores
públicos investigados e alvos da operação: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano
Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.
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Além das buscas, foram determinadas quebras de sigilo
bancário, fiscal e telemático dos investigados. Eles foram afastados de seus
cargos, proibidos de acessar as dependências do Serviço Federal de
Processamento de Dados (Serpro) e da Receita Federal, e impedidos de utilizar
sistemas e bases informatizadas dos órgãos.
Os servidores também estão proibidos de deixar suas cidades,
tiveram os passaportes cancelados e deverão usar tornozeleira eletrônica. A
Polícia Federal deve ouvir os investigados nos próximos dias e dará
continuidade às apurações.
Gazeta Brasil

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