Alguns ministros acreditam que Dias Toffoli tenha gravado
encontro, o que ele nega ter feito
A reunião dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que
resultou no afastamento
de Dias Toffoli da relatoria dos processos envolvendo o Banco Master vazou
para a imprensa e gerou desgaste no tribunal. Os
trechos do encontro foram revelados pelo Poder360.
Um ministro conversou com o blog e disse que todos
estão “perplexos” com a situação. Além disso, uma ala da corte
acredita que o vazamento foi feito pelo próprio Toffoli.
O blog apurou, contudo, que Toffoli tem negado a
interlocutores que tenha sido ele. “Da minha parte, não”, diz o ministro a
assessores.
Detalhes da reunião
Segundo a reportagem que revelou a gravação, dos 10
ministros presentes à reunião, oito se colocaram a favor da permanência de
Toffoli no caso. Somente Edson Fachin e Cármen Lúcia se opuseram. Sem
unanimidade, a discussão tomou ares de defesa do próprio STF como instituição.
Gilmar Mendes, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Nunes Marques,
André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além do próprio Toffoli,
afirmaram não ter visto qualquer no relatório da PF qualquer parte que justificasse
o afastamento de Toffoli.
Cármen Lúcia teria sido dura. Falou que confiava no colega,
mas seria preciso “pensar na institucionalidade”. E que o caso tinha que ser
resolvido antes do Carnaval para que o assunto terminasse. “Porque não é só
você que sangra, é a Corte inteira”, disse a Toffoli.
No fim, segundo o relato, Fachin estava pronto para encerrar
o dia e continuar nesta sexta-feira (13), mas Toffoli se adiantou e afirmou que
encaminharia o processo para nova distribuição.
“Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do
processo. Eu preferia que fosse diferente, mas se for a decisão hoje para parar
hoje, é melhor e eu aceito”, teria definido o ministro.
Tensão
A reunião dos ministros foi marcada por tensão e
divergências internas antes de resultar na saída do ministro da relatoria dos
processos ligados ao caso do Banco Master.
Segundo apurou o blog, o encontro começou em clima
tenso. Toffoli estava resistente à ideia de deixar a condução dos casos
e, inicialmente, não queria abrir mão da relatoria. A avaliação
predominante entre os colegas, porém, era de que sua permanência
aprofundaria o desgaste institucional da corte.
Ao longo da reunião, Toffoli “viu que ia
perder” a disputa e acabou cedendo. A solução construída foi a de que
a saída se daria a pedido do próprio ministro — e não por imposição do STF.
Convocação
O encontro dos ministros foi convocado pelo presidente do
Supremo, Edson Fachin, para discutir o relatório elaborado pela Polícia Federal após
perícia no celular de Daniel Vorcaro,
dono do Banco Master. Segundo a corporação, foram encontrados no aparelho
documentos com menções a Dias Toffoli e a outros ministros do STF.
A PF, então, levantou a hipótese de que Toffoli fosse
declarado suspeito. Na reunião desta quinta, contudo, os ministros concluíram
que não há cabimento para que a PF fizesse um pedido para que Toffoli deixasse
a relatoria dos processos do Master.
R7

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