Na abertura do funcionamento ao público, Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense fez 50 atendimentos, oferecendo cuidado especializado.
Com exames nas mãos e esperança no olhar, a comerciante aposentada Doris Zender, de 68 anos, moradora de Nilópolis, foi a primeira paciente atendida pelo Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense, o Onco Baixada, em Nova Iguaçu, que iniciou o funcionamento nesta quinta-feira (19/2). Casada, mãe e avó de três netos, ela recebeu o diagnóstico no início de janeiro, após exames realizados no Rio Imagem Baixada. Ela ressaltou que está aliviada por começar logo o tratamento, especialmente, por ser perto de sua casa.
- Para mim,
seria bem mais difícil ter que ir para a capital para me tratar, mas quando fui
informada de que faria o tratamento perto de casa, fiquei muito mais tranquila.
A estrutura desse lugar é maravilhosa, traz conforto para o coração da gente -
afirmou Doris.
A descentralização do atendimento para moradores das Região Metropolitana e do interior do estado faz parte do compromisso do governador Cláudio Castro de levar oferta de serviços de saúde para mais perto dessa população, historicamente menos assistida.
- O Onco Baixada oferece tudo num mesmo lugar, consultas e procedimentos, com acompanhamento multidisciplinar, além de contar com o apoio do Rio Imagem Baixada nos exames diagnósticos. Toda essa estrutura acelera o tratamento, sem que as pessoas fiquem peregrinando entre as unidades. É um cuidado humanizado, moderno e digno para a população - afirmou Cláudio Castro.
A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, explica que o funcionamento da unidade acontecerá de forma escalonada.
- Hoje demos início ao atendimento ambulatorial e a partir deste momento os especialistas vão traçar as linhas de cuidado para cada caso. Na segunda fase do projeto, serão incorporadas tecnologias avançadas, como radioterapia e exames PET-CT, garantindo um atendimento integral ao paciente - afirmou a secretária.
Funcionamento gradual e agendado pelo sistema de regulação estadual
Somente neste primeiro dia de funcionamento, 50 pacientes foram atendidos, com dez consultas iniciais para cada tipo de câncer: urologia, ginecologia, mastologia, tireoide e dermatologia. O atendimento será implantado de forma gradativa, por meio do Sistema Estadual de Regulação (SER).
No primeiro
dia, Doris passou por avaliação com a cirurgiã oncológica Gabriela Araújo e
também pela equipe de Oncologia Clínica. De acordo com a coordenadora da
Oncologia Clínica da unidade, a médica Hérika Costa, nessa etapa inicial o
paciente é avaliado quanto à necessidade de estadiamento (processo que
determina a expansão do câncer no corpo), exames complementares e procedimentos
pré-operatórios.
Cada grupo
de pacientes conta com uma técnica de enfermagem específica, responsável por
acompanhar todo o percurso dentro da unidade. Hoje, foi a profissional Milena
Leal a responsável por acompanhar a paciente Doris neste trajeto, que finalizou
na navegação oncológica. Essa etapa, conduzida pela enfermeira oncológica
Glenda Fagundes, é fundamental para garantir a continuidade e a organização do
cuidado. A gerente médica do Onco Baixada, Wanessa Abner, explicou o papel
estratégico desse acompanhamento.
- A
navegação é um circuito específico dentro do hospital. O enfermeiro navegador
acompanha o paciente ao longo de todo o tratamento, oferecendo um acolhimento
atento, inclusive no aspecto psicológico. Esse profissional realiza a marcação
de exames, orienta sobre sintomas e etapas do tratamento, agenda sessões de
quimioterapia, organiza a reserva dos medicamentos, define horários e esclarece
dúvidas. Também faz a interface com toda a equipe multidisciplinar envolvida no
cuidado - ressaltou a gerente médica.
Para o diretor-geral da unidade, Rodrigo Ramos, reduzir o deslocamento é um dos principais ganhos para os pacientes.
- Um dos nossos maiores objetivos é diminuir a necessidade de deslocamento desses pacientes. Muitos precisavam sair da Baixada Fluminense e enfrentar longas viagens de ônibus ou trem até a capital, passando uma ou duas horas no trânsito para realizar consultas ou sessões de quimioterapia - destacou.
Estrutura
e investimento histórico
O Onco Baixada forma, ao lado do Rio Imagem Baixada, o maior complexo de saúde da história do Estado do Rio de Janeiro. O projeto recebeu investimento de R$ 87,3 milhões do Governo do Estado. Com 12 mil metros quadrados, a unidade terá capacidade máxima para cinco mil atendimentos, 340 internações e 300 cirurgias por mês. Ao todo, são 100 leitos exclusivos para oncologia, sendo 81 de enfermaria, 10 de UTI, oito de cuidados críticos e um de estabilização.
Classificado
como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom), o hospital trabalha
com uma linha de cuidado completa, tendo equipe multiprofissional formada por
psicólogo, nutricionista, assistente social, terapeuta ocupacional e
fisioterapeuta. São 24 boxes de quimioterapia e, em um segundo momento,
serviços de radioterapia e petscan. Já os exames como tomografia, ressonância
magnética e colonoscopia serão realizados de forma integrada ao Rio Imagem
Baixada.

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