A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11), uma operação para cumprir três mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão contra uma quadrilha suspeita de divulgar vídeos de abusos sexuais cometidos contra mulheres sedadas. As ações ocorreram nos estados da Bahia, Ceará, Pará, São Paulo e Santa Catarina.
Segundo a PF, sete brasileiros são investigados por integrar
uma rede transnacional dedicada ao compartilhamento e troca desse tipo de
conteúdo criminoso pela internet. As investigações tiveram início no ano
passado, após a corporação receber informações da Europol (Agência da União Europeia
para a Cooperação Policial), que apontavam a atuação de grupos em mais de 20
países envolvidos na disseminação de vídeos de agressões sexuais contra
mulheres.
De acordo com os investigadores, mensagens trocadas entre
integrantes do grupo revelaram discussões sobre o uso de medicamentos com
propriedades sedativas. Os suspeitos demonstravam conhecimento sobre marcas
comerciais e possíveis efeitos adversos dessas substâncias. Há indícios de que
alguns dos investigados teriam dopado as próprias companheiras para cometer os
crimes, filmar as agressões e disponibilizar as imagens na internet.
A atuação do grupo, segundo a PF, apresenta similaridades
com o caso de Gisèle Pelicot, que causou grande repercussão na França. A
corporação também identificou conteúdos com expressões de ódio, repulsa e
objetificação da mulher, o que reforçou a necessidade de uma resposta estatal
integrada.
Os investigados poderão responder, inicialmente, pelos
crimes de estupro de vulnerável e divulgação de cena de estupro ou de estupro
de vulnerável, sem prejuízo de outras tipificações penais. No Brasil, casos
dessa natureza também se enquadram na Lei nº 13.642/2018, que atribui à Polícia
Federal a apuração de crimes praticados pela internet que envolvam a propagação
de conteúdo misógino.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos
equipamentos eletrônicos, celulares, computadores e dispositivos de
armazenamento de dados que passarão por perícia.
Gazeta Brasil

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