Pesquisa da UFF usa método inovador para o tratamento sustentável do lodo de esgoto | Rio das Ostras Jornal

Pesquisa da UFF usa método inovador para o tratamento sustentável do lodo de esgoto

 Tecnologia aponta novos caminhos ao propor tratamento de resíduos com redução de impactos ambientais e reaproveitamento energético

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal Fluminense (UFF) propõe um tratamento inovador para o lodo de esgoto gerado nas estações de tratamento. A partir do método da pirólise lenta, o estudo analisa uma forma de secagem do resíduo, capaz de gerar energia, aumentar a vida útil dos aterros sanitários e diminuir riscos ambientais e biológicos. Trata-se de uma abordagem que articula inovação tecnológica, viabilidade econômica e sustentabilidade ambiental.

Ao investigar a aplicação da pirólise lenta - um processo termoquímico de decomposição da matéria orgânica realizado em altas temperaturas, na ausência de oxigênio - em tambor rotativo como rota tecnológica para a disposição final sustentável do lodo sanitário, o estudo inova ao tratar o lodo - antes considerado um rejeito sem valor, destinado majoritariamente a aterros sanitários - como um recurso capaz de reduzir emissões de gases poluentes e contribuir para a economia circular.

O grande diferencial da rota tecnológica desenvolvida pelo grupo de pesquisa, liderado pelo professor Rodolfo Cardoso, do Instituto de Ciência e Tecnologia da UFF de Rio das Ostras, está na capacidade de processar o lodo com elevada umidade, característica que historicamente inviabilizou outras soluções similares. Enquanto tecnologias convencionais exigem etapas intensivas de secagem, que são caras e energeticamente ineficientes, o sistema em tambor rotativo utiliza o próprio vapor d’água presente no resíduo como parte do processo químico.

Diferentemente de processos como a incineração, na pirólise lenta não há combustão direta do material nem geração de subprodutos tóxicos, como dioxinas e furanos. No caso da tecnologia estudada na UFF, o processo ocorre em um tambor rotativo que atua em regime contínuo, o que garante maior eficiência operacional e compatibilidade com o funcionamento das estações de tratamento de esgoto.

Durante o tratamento, a matéria orgânica é convertida em três frações principais. A primeira é o gás de síntese (singás), que pode ser utilizado para geração de energia térmica ou elétrica, inclusive para alimentar o próprio sistema. A segunda é o biochar, um material rico em micronutrientes como fósforo, nitrogênio, potássio e cálcio, com potencial para aplicação no solo, com benefícios no aumento da retenção de água e melhoria da sua estrutura. Já a fração líquida do processo apresenta características que permitem seu retorno ao próprio sistema de tratamento e um circuito fechado e reduzir a geração de efluentes adicionais.

A possibilidade de integrar o sistema de pirólise diretamente às estações de tratamento representa uma mudança estrutural. Ao reduzir ou eliminar o transporte do lodo, a tecnologia diminui riscos sanitários, emissões associadas à logística e a pressão sobre os aterros, além de ampliar a autonomia operacional das estações. Além dos ganhos ambientais, os estudos conduzidos indicam viabilidade econômica, com estimativas de retorno do investimento em prazos relativamente curtos. O fator é considerado central para a adoção da tecnologia por concessionárias e municípios.

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