Moraes intima presidente da Unafisco após afirmação de que “é menos arriscado fiscalizar o PCC do que autoridades” | Rio das Ostras Jornal

Moraes intima presidente da Unafisco após afirmação de que “é menos arriscado fiscalizar o PCC do que autoridades”

Foto: Fellipe Sampaio /STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal intime o presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, para prestar esclarecimentos sobre declarações feitas à imprensa. O depoimento foi marcado para esta sexta-feira (20), às 15h.

A intimação ocorre após Cabral afirmar que o atual cenário de pressão jurídica estaria criando um ambiente de temor institucional. Em entrevista, ele declarou que “é menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”.

“Se você perguntar hoje quem está disposto a organizar um grupo de fiscalização para investigar autoridades, provavelmente não encontrará ninguém. Tornou-se menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”, disse.

A decisão de Moraes está inserida no âmbito do inquérito das fake news, que apura o suposto acesso indevido e o vazamento de informações fiscais de magistrados e familiares. Na terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e impôs medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e afastamento de funções públicas de servidores da Receita Federal e do Serpro.

Em entrevista à GloboNews, Cabral criticou as medidas adotadas e afirmou que a imposição de restrições sem processo administrativo prévio ou prova de crime grave seria uma tentativa de “humilhar, constranger e amedrontar” a categoria.

“Já cansamos de falar do inquérito das fake news, da falta de respeito ao devido processo legal. Estamos muitíssimos preocupados que isso tenha acontecido novamente”, declarou.

À CNN Brasil, o presidente da entidade disse entender que não há indícios de que o auditor alvo da operação tenha efetivamente vazado dados. Ele também afirmou que o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master não seria um documento usualmente arquivado nos sistemas da Receita.

Em nota divulgada na quarta-feira (18), a Unafisco criticou a operação e relembrou que, em 2019, também no âmbito do inquérito das fake news, dois auditores-fiscais foram afastados sob acusação de vazamento de informações fiscais de parentes de ministros do STF. Segundo a entidade, posteriormente a acusação “mostrou-se sem nenhum lastro probatório”, e os servidores foram reintegrados.

“Os Auditores-Fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. A instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito”, afirmou a entidade.

Gazeta Brasil

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