Leitura das eleições recentes aponta combinação entre redes
sociais e política tradicional como eixo das estratégias
Embora a eleição presidencial de 2026 ainda não esteja
oficialmente no calendário eleitoral, o debate político já ganhou força nos
bastidores. Partidos e pré-campanhas analisam os dois últimos pleitos nacionais
em busca de padrões que ajudem a antecipar o desenho da próxima disputa.
Em 2018, a eleição foi marcada por uma fragmentação inédita.
Treze candidatos disputaram a Presidência da República no primeiro turno, e o
vencedor avançou com pouco mais de 46% dos votos válidos. O resultado expôs um
ambiente de forte rejeição aos partidos tradicionais e indicou que a vitória
eleitoral não depende, necessariamente, de uma maioria ampla logo na largada.
“Aquele pleito mostrou que vencer a eleição não exige maioria nacional no
primeiro turno, mas sim capacidade de chegar ao segundo turno com base
consolidada.”
O cenário foi distinto em 2022. A disputa se concentrou em
dois polos e revelou um país profundamente dividido. Pela primeira vez desde a
redemocratização, a eleição foi decidida por uma diferença inferior a 3 milhões
de votos — pouco mais de 1,8 ponto percentual. Ainda assim, a vitória não foi
homogênea. Em 2018 e em 2022, os candidatos eleitos perderam em diversos
Estados, mas compensaram o desempenho nos maiores colégios eleitorais, onde a
densidade de votos é maior e o impacto eleitoral, decisivo.
Estados mais populosos e grandes regiões metropolitanas
tiveram papel central nos dois pleitos. Ao mesmo tempo, o interior do País
manteve relevância estratégica, especialmente em eleições apertadas,
funcionando como fator de equilíbrio em disputas muito próximas. A leitura
consolidada entre estrategistas é pragmática: não é necessário vencer em todo o
território nacional, mas concentrar esforços onde há maior concentração de
eleitores.
Outro elemento central na análise para 2026 é o papel das
alianças políticas. Em 2018, a campanha vencedora contou com pouco tempo de
televisão, mas compensou essa limitação com o uso intensivo de outros meios de
comunicação. Já em 2022, as coligações voltaram a ganhar protagonismo,
sobretudo na construção de palanques estaduais e na ampliação do alcance
territorial.
Para o consultor político Fábio Monteiro, a próxima eleição
tende a combinar essas duas experiências. Segundo ele, as campanhas precisam
observar a mudança no comportamento do eleitorado, especialmente entre os mais
jovens. “O público jovem está cada vez mais voltado para um perfil. Claro, ele
se informa através de redes sociais, principalmente. Hoje é o maior campo de
notícias. pode ver até como os veículos de comunicação também têm mudado o seu
perfil para redes sociais, trazendo informações nas redes sociais, através de
pequenos vídeos, cards, os comentários, onde ele está buscando a notícia,
levando a notícia até esse perfil. Jovem, o perfil também, aquele jovem adulto,
dos 20 aos 30 anos ali também, que hoje consome, por exemplo, notícias através
das redes sociais. Ao mesmo tempo, o campo eleitoral também está migrando para
isso. A única coisa que eu sempre coloco, que o candidato não pode esquecer,
também do offline. O online existe no sentido de engajamento, no sentido de
estratégia de campanha, porém, os meios tradicionais, não dá para você tratar a
rede social como um acessório e nem mesmo os meios tradicionais como
acessórios.”
Com um eleitorado estimado em mais de 160 milhões de
pessoas, a eleição de 2026 tende a repetir desafios já conhecidos: alto índice
de rejeição, disputa acirrada e a necessidade de alianças capazes de garantir
governabilidade. Além da escolha do presidente da República, o eleitor também
elegerá deputados e senadores, o que reforça a integração entre a campanha
presidencial e a formação de uma base sólida no Congresso Nacional.
Nos bastidores, estratégia, território e alianças seguem
moldando o caminho até a escolha do próximo presidente da República. Monteiro
observa que o cenário permanece indefinido, especialmente no campo
oposicionista. “direita não tem um nome definido ainda. A esquerda, claro, nós
sabemos que o presidente Lula já se coloca como um pré-candidato. como o
próprio candidato da esquerda, mas a própria direita ainda não. Então se
conversa muito em alianças, se conversa muito em criar um cenário favorável.
ainda, de coligações, de candidaturas que também se ramifiquem para os estados,
mas sem um nome definido.”
Com o tabuleiro ainda aberto, a definição de nomes e
alianças deve se intensificar nos próximos meses. Até lá, a disputa
presidencial de 2026 continua sendo desenhada longe das urnas — como mostram as
eleições anteriores, muito antes do início formal da campanha.
JP

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