Trump aumenta pressão sobre Venezuela e exige rompimento com China e Rússia | Rio das Ostras Jornal

Trump aumenta pressão sobre Venezuela e exige rompimento com China e Rússia

O secretário de Estado, Marco Rubio (à esquerda), conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Francis Chung/EFE/Pool

Casa Branca condiciona alívio econômico e petróleo a um realinhamento geopolítico, provoca reação de Pequim e Moscou e transforma o pós-Maduro em um novo tabuleiro de disputa entre grandes potências.

A ofensiva do governo dos Estados Unidos sobre o futuro político e econômico da Venezuela ganhou contornos mais claros e mais duros.

O presidente Donald Trump passou a exigir que o governo interino venezuelano rompa relações estratégicas com China e Rússia como condição para qualquer reaproximação com Washington, especialmente no setor de petróleo, a principal fonte de receita do país.

Segundo a rede ABC News, a Casa Branca transmitiu à presidente interina Delcy Rodríguez que os Estados Unidos não aceitarão uma retomada ampla da produção e exportação de petróleo venezuelano enquanto Caracas mantiver acordos ativos com Pequim, Moscou, Irã e Cuba.

A orientação faz parte de uma estratégia descrita por autoridades americanas como “pressão máxima” para redesenhar o alinhamento internacional da Venezuela no pós-Maduro.

Fontes ouvidas afirmaram que a mensagem foi direta e sem ambiguidades. Um funcionário do governo americano disse que “a Venezuela precisa escolher entre continuar dependente de regimes autoritários ou se integrar novamente ao Ocidente”.

Outro assessor descreveu a proposta como um “realinhamento estratégico inevitável”, dada a situação crítica do setor energético venezuelano.

O secretário de Estado, Marco Rubio, segundo relatos feitos a congressistas, argumentou que a Casa Branca tem poder de barganha porque a Venezuela enfrenta gargalos severos de escoamento.

“Os tanques estão cheios, os navios estão parados e eles não têm para onde mandar o petróleo”, teria dito Rubio.

Para o governo Trump, esse cenário torna Caracas mais suscetível às exigências americanas.

O plano americano vai além de contratos comerciais. Inclui controle logístico, supervisão de navios-tanque e restrições explícitas a destinos tradicionais do petróleo venezuelano.

O senador Roger Wicker, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, confirmou essa abordagem em entrevista.

“O objetivo é controlar o petróleo, os navios e os tanques. Nenhum deles vai mais para Havana”, afirmou. Wicker fez questão de frisar que, apesar do tom duro, “isso não envolve tropas no terreno”.

A Casa Branca não negou o teor das informações. Um alto funcionário do governo declarou que Trump está disposto a “exercer máxima pressão sobre os remanescentes do poder em Caracas” para garantir cooperação em temas como combate ao narcotráfico, migração ilegal e reorganização da indústria petrolífera. Segundo ele, “os Estados Unidos estão oferecendo um caminho claro, mas exigente”.

As exigências provocaram reação imediata da China. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou que Washington não tem legitimidade para ditar as alianças de outro país.

“A cooperação entre China e Venezuela é baseada em respeito mútuo, igualdade e benefício recíproco”, disse Lin.

“Nenhuma terceira parte tem o direito de interferir nos assuntos internos da Venezuela ou forçá-la a romper parcerias soberanas”, acrescentou.

Lin Jian também criticou o uso de sanções como instrumento de pressão política. “As sanções unilaterais apenas agravam o sofrimento do povo venezuelano e violam os princípios básicos do direito internacional”, afirmou, ressaltando que Pequim continuará apoiando o direito da Venezuela de escolher seus próprios parceiros econômicos.

Em Moscou, o tom foi ainda mais duro. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou as exigências americanas como “chantagem geopolítica aberta”.

Em declaração oficial, Zakharova disse que “os Estados Unidos tentam expulsar concorrentes legítimos e tomar controle de recursos estratégicos sob o pretexto de transição política”.

Zakharova afirmou que a cooperação entre Rússia e Venezuela é “legal, transparente e baseada em acordos bilaterais soberanos”. Segundo ela, “nenhum país tem o direito de exigir exclusividade econômica ou política de outro Estado”, acrescentando que Moscou continuará apoiando Caracas “dentro dos marcos do direito internacional”.

Diplomatas ouvidos por agências internacionais avaliam que as reações de Pequim e Moscou deixam claro que a Venezuela se tornou um ponto central de disputa entre grandes potências. Um diplomata europeu resumiu a situação dizendo que “o petróleo venezuelano virou moeda de troca em uma disputa global por influência”.

Até o momento, o governo interino venezuelano não respondeu oficialmente às exigências americanas nem às declarações de China e Rússia. Nos bastidores, porém, interlocutores diplomáticos afirmam que Caracas enfrenta uma decisão de alto risco: manter alianças que garantiram sustentação política e econômica durante anos de isolamento ou aceitar uma guinada estratégica profunda em troca de alívio imediato das sanções.

Com as reações de China e Rússia agora explicitadas, a estratégia de Washington deixa de ser apenas uma negociação bilateral. Ela se transforma em um teste direto da capacidade dos Estados Unidos de redesenhar alianças na América Latina – usando o petróleo venezuelano como principal instrumento de pressão.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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