A polícia do estado venezuelano de Mérida prendeu dois homens, de 64 e 65 anos, acusados de “celebrar o sequestro” do deposto ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ativistas denunciam que a ação faz parte de uma nova onda repressiva do governo, destinada a sufocar qualquer demonstração de alegria após a captura do líder pelas forças norte-americanas.
De acordo com comunicado do Instituto Autônomo de Polícia do
Estado Bolivariano de Mérida (IAPEBM), os agentes receberam denúncia sobre a
presença dos dois cidadãos “alterando a paz e a tranquilidade pública” no setor
Los Cedros, na paróquia Río Negro, município de Guaraque.
O boletim policial afirma que os detidos “estavam gritando
palavras de ordem contra o governo, celebrando o sequestro do presidente
Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores, ofendendo vizinhos
militantes do PSUV e incitando à violência, além de efetuar disparos com arma
de fogo”.
Durante a revista na residência, as autoridades apreenderam
um revólver da marca Smith & Wesson com seis cartuchos, cinco deles
deflagrados, e uma espingarda sem marca visível. Ambos foram levados à
delegacia de Guaraque, segundo o comunicado.
Escalada repressiva
As prisões em Mérida ocorrem em meio a uma escalada
repressiva na Venezuela após a captura de Maduro no último sábado por forças
especiais dos Estados Unidos. Enquanto milhares de venezuelanos no exterior
comemoraram a notícia, não houve registros de manifestações públicas de alegria
dentro do país, atribuídas por observadores ao temor de retaliações do regime.
Na segunda-feira, ao menos 14 jornalistas foram detidos em
Caracas enquanto cobriam a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina,
de acordo com o sindicato que representa trabalhadores de mídia na Venezuela. A
maioria trabalhava para veículos estrangeiros e foi liberada no mesmo dia,
embora um tenha sido deportado.
Testemunhas relataram forte presença de forças de segurança
fortemente armadas e de grupos motorizados pró-governo, conhecidos como
“coletivos”, patrulhando as ruas de Caracas. Moradores afirmam que esses grupos
estão detendo motoristas e revistando seus celulares em busca de mensagens
críticas ao governo.
“Há militares em cada
esquina e grupos de civis armados apoiando o governo que estão causando medo na
população”, disse uma mulher que preferiu não se identificar.
Um líder comunitário do bairro Petare, em Caracas, relatou à
BBC que havia “homens encapuzados com armas patrulhando e revisando os status
do WhatsApp das pessoas”.
Histórico de repressão
A repressão não é novidade na Venezuela. Mais de 2 mil
pessoas foram presas durante os protestos após as eleições presidenciais de
2024, quando o governo declarou Maduro vencedor, mesmo que resultados
apresentados pela oposição e verificados por veículos independentes indicassem
vitória do candidato opositor.
Na ocasião, membros das forças de segurança também
revistaram os celulares dos cidadãos em busca de mensagens críticas ao governo,
levando muitos venezuelanos a apagar contas em redes sociais e históricos de
mensagens. Muitos dos detidos receberam longas penas de prisão por “traição”.
Segundo o grupo de defesa de direitos humanos Foro Penal, há
mais de 800 presos políticos na Venezuela até 5 de janeiro.
“A presença de
coletivos nas ruas está claramente destinada a reforçar o esquema de repressão
interna do governo e a prevenir mobilizações populares através do medo”,
afirmou Andrei Serbin Pont, presidente do grupo de pesquisa CRIES, com sede em
Buenos Aires.
Na noite de segunda-feira, foram registrados disparos e
explosões perto do Palácio de Miraflores, em Caracas. Uma fonte do governo,
citada pela agência EFE, afirmou que as forças de segurança efetuaram “disparos
de forma dissuasiva” diante da presença de drones não identificados.
Gazeta Brasil

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