Parlamentares aliados do ex-presidente afirmam que medida
tem motivação política e anunciam ofensiva em instâncias internacionais
Parlamentares da oposição reagiram ao pedido do ministro
Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para transferir
o ex-presidente Jair Bolsonaro à unidade prisional conhecida como
“Papudinha”, em Brasília. Em manifestações públicas feitas nesta quinta-feira
(15), aliados classificaram a medida como desproporcional, apontaram suposta
violação de direitos humanos e afirmaram que a decisão configura abuso de poder
por parte do Judiciário.
A senadora Damares
Alves, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, afirmou
que o estado de saúde do ex-presidente deveria ser considerado pelas
autoridades. Segundo ela, Bolsonaro, que tem mais de 70 anos, estaria submetido
a condições que configurariam sofrimento indevido. “Não podemos aceitar em
silêncio”, declarou, ao defender que a Justiça brasileira precisa ser
“restabelecida”.
Damares ressaltou que levou o caso a diferentes
instituições, e a Corte Interamericana de Direitos Humanos teria aceitado uma
petição. Segundo a parlamentar, o senador Eduardo Girão deve viajar aos Estados
Unidos nos próximos dias para apresentar documentos que, de acordo com ela,
comprovariam irregularidades no tratamento dado ao ex-presidente. A oposição
sustenta que a mobilização internacional busca “proteger a liberdade e a
dignidade” de Bolsonaro.
Na Câmara, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, adotou um tom
ainda mais duro. Para ele, a transferência do ex-presidente simboliza o que
chamou de “arbítrio judicial” e “punição política”. Em nota, Cavalcante afirmou
que a decisão teria sido tomada de forma isolada e serviria como demonstração
de força, não como aplicação imparcial da lei.
“O que vemos não é justiça, é autoritarismo”, declarou o
deputado, que acusou o Judiciário de concentrar funções e ultrapassar limites
institucionais. Para o líder do PL, quando um único poder “define o rito,
acusa, julga e executa”, a democracia está ameaçada. O parlamentar também disse
que a ausência de freios e contrapontos levaria à erosão do Estado de Direito.

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