Oposição critica transferência de Bolsonaro para a Papudinha e fala em abuso de poder | Rio das Ostras Jornal

Oposição critica transferência de Bolsonaro para a Papudinha e fala em abuso de poder

'O que vemos não é justiça, é autoritarismo', declara o deputado 
Sóstenes Cavalcante. Bruno Spada/Câmara dos Deputados - 15.12.25

Parlamentares aliados do ex-presidente afirmam que medida tem motivação política e anunciam ofensiva em instâncias internacionais

Parlamentares da oposição reagiram ao pedido do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro à unidade prisional conhecida como “Papudinha”, em Brasília. Em manifestações públicas feitas nesta quinta-feira (15), aliados classificaram a medida como desproporcional, apontaram suposta violação de direitos humanos e afirmaram que a decisão configura abuso de poder por parte do Judiciário.

A senadora Damares Alves, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, afirmou que o estado de saúde do ex-presidente deveria ser considerado pelas autoridades. Segundo ela, Bolsonaro, que tem mais de 70 anos, estaria submetido a condições que configurariam sofrimento indevido. “Não podemos aceitar em silêncio”, declarou, ao defender que a Justiça brasileira precisa ser “restabelecida”.

Damares ressaltou que levou o caso a diferentes instituições, e a Corte Interamericana de Direitos Humanos teria aceitado uma petição. Segundo a parlamentar, o senador Eduardo Girão deve viajar aos Estados Unidos nos próximos dias para apresentar documentos que, de acordo com ela, comprovariam irregularidades no tratamento dado ao ex-presidente. A oposição sustenta que a mobilização internacional busca “proteger a liberdade e a dignidade” de Bolsonaro.

Na Câmara, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, adotou um tom ainda mais duro. Para ele, a transferência do ex-presidente simboliza o que chamou de “arbítrio judicial” e “punição política”. Em nota, Cavalcante afirmou que a decisão teria sido tomada de forma isolada e serviria como demonstração de força, não como aplicação imparcial da lei.

“O que vemos não é justiça, é autoritarismo”, declarou o deputado, que acusou o Judiciário de concentrar funções e ultrapassar limites institucionais. Para o líder do PL, quando um único poder “define o rito, acusa, julga e executa”, a democracia está ameaçada. O parlamentar também disse que a ausência de freios e contrapontos levaria à erosão do Estado de Direito.

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