A família de Erfan Soltani também foi ameaçada, com oficiais
avisando que, se falassem publicamente ou contatassem a mídia sobre a situação,
outros membros da família seriam presos
O Irã estaria
pronto para enforcar o primeiro manifestante preso por causa das manifestações
contra o regime, segundo grupos de direitos humanos. Erfan Soltani, 26, pode
ser enforcado nesta quarta-feira (14) depois de ter sido preso na semana
passada durante os protestos em Karaj, disseram os grupos de ONGs Direitos
Humanos do Irã (IHRNGO) e União Nacional pela Democracia no Irã (NUFD). “Sua
família foi informada de que ele havia sido condenado à morte e que a sentença
será executada em 14 de janeiro”, fontes relataram ao IHRNGO. O Diretor do
IHRNGO, Mahmood Amiry-Moghaddam, disse em um comunicado que “o assassinato
generalizado de manifestantes civis nos últimos dias pela República Islâmica
lembra os crimes do regime nos anos 1980, que foram reconhecidos como crimes
contra a humanidade”.
Segundo informações obtidas pelo site IranWire, que
acompanha a situação no país, Erfan Soltani, de 26 anos, foi mantido em
detenção sem acesso a um advogado, e as autoridades não o acusaram formalmente.
Nenhuma audiência no tribunal foi realizada em seu caso. Sua família também foi
ameaçada, com oficiais avisando que, se falassem publicamente ou contatassem a
mídia sobre a situação, outros membros da família seriam presos.
A notícia foi inicialmente reportada por Ebrahim
Allah-Bakhshi, um ativista político exilado, que postou no X: “Erfan Soltani
foi preso na quinta-feira, 8 de janeiro, e está agendado para ser executado na
quarta-feira, 14 de janeiro.”
Erfan foi preso no fim da tarde de quinta-feira, 8 de
janeiro, perto de sua casa no distrito de Fardis, em Karaj. Por três dias, sua
família não teve informações sobre seu paradeiro. No domingo, 11 de janeiro,
agentes de segurança finalmente os contataram, confirmando que ele estava sob
custódia e dizendo-lhes que ele já havia sido sentenciado à morte.
Após pedidos desesperados e repetidos, a família teve
permissão para um único encontro de dez minutos com Erfan – um encontro que as
autoridades deixaram claro que deveria ser a última despedida antes da execução
da sentença.
Uma fonte próxima à família, falando sob condição de
anonimato, disse ao IranWire: “A família está sob pressão extrema. Mesmo um
parente próximo que é advogado tentou assumir o caso, mas foi bloqueado e
ameaçado por agentes de segurança. Eles disseram a ele, ‘Não há arquivo para
revisar. Anunciamos que qualquer um preso nos protestos seria executado. A
sentença de Erfan é Moharebeh (Inimizade contra Deus); é final e será
executada.'”
Erfan trabalhava na indústria de vestuário e havia
recentemente ingressado em uma empresa privada. Quem o conhece afirma que ele
era apaixonado por moda. Seu perfil no Instagram – um dos poucos que as
autoridades não deletaram – “mostra um jovem que gostava de fisiculturismo,
esportes e de viver uma vida simples”, escreveu o site IranWire.
“O risco de execuções em massa e extrajudiciais de
manifestantes é extremamente sério e está aumentando”, disse em comunicado o
diretor da ONGs Direitos Humanos do Irã (IHRNGO), Mahmood Amiry-Moghaddam. “Sob
a Responsabilidade de Proteger, a comunidade internacional tem o dever de
proteger os manifestantes civis contra matanças em massa pela República
Islâmica e seu Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Nós convocamos pessoas
e a sociedade civil em países democráticos a lembrarem seus governos desta
responsabilidade.”
JP

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