Medida considerou ‘comprometimento da situação
econômico-financeira da instituição’, bem como o ‘vínculo de interesse
evidenciado do poder de controle’ da instituição financeira já em processo de
liquidação extrajudicial
O Banco
Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação
extrajudicial da empresa Will Financeira, braço digital do Banco Master.
Em nota, o BC afirmou que se tornou “inevitável a liquidação
extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação
econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado
pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação
extrajudicial”.
A lei exige que os bens dos controladores e dos
ex-administradores da instituição com liquidação decretada fiquem
indisponíveis.
BC tentou manter a Will Financeira em funcionamento, por
meio do Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mas não foi viável,
segundo a entidade. A Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com o
arranjo de pagamentos Mastercard.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas
cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências
legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas
sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades
competentes”, escreveu.
O BC também decretou a indisponibilidade dos bens dos
controladores e ex-controladores da Will Financeira, incluindo as empresas Will
Holding Financeira, Master Holding Financeira e 133 Investimentos e
Participações, além de Armando Miguel Gallo Neto, Daniel Vorcaro, Felipe
Wallace Simonsen, Felipe Félix Soares e Ricardo Saad Neto.
A Jovem Pan tenta localizar representantes da Will
Financeira. O espaço está aberto para manifestação.
Caso Master
As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em
novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15),
revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso
envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para
ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o
Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e
a Polícia Federal (PF).
“A decretação do regime especial nas instituições foi
motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo
comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como
por graves violações às normas que regem a atividade das instituições
integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.
De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A,
do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A
Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada
da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a
emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram
o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Como resultado, no dia 17 de novembro, o
dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de
tornozeleira eletrônica.

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