Documentos enviados a Alexandre de
Moraes descrevem o Comando Vermelho como ‘narcoterrorista’, com poder de fogo
militar
O Governo do Rio de Janeiro apresentou
ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes um
retrato da Operação Contenção — ação de grande porte realizada em
28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão.
Nos documentos oficiais, o Estado
classifica o CV
(Comando Vermelho) como organização narcoterrorista, comparável a
grupos armados internacionais, e descreve
um inimigo com táticas de guerra urbana, armamento de uso militar e
estrutura de comando interestadual.
Segundo o relatório encaminhado a
Moraes, a operação teve como objetivo cumprir 100 mandados de prisão e 145 de
busca e apreensão, dentro de uma investigação que apontou lideranças de 11
estados diferentes atuando sob o comando da facção.
Entre os 99 presos, 27 vieram de
outros estados, como Bahia, Pará, Goiás, Maranhão e Pernambuco. Ao todo, 121
pessoas morreram no confronto, dentre elas quatro policiais.
Táticas de guerrilha e poder de fogo
A
facção empregou estratégias típicas de combate militar, com barricadas,
roupas camufladas, casas-mata, trincheiras e artefatos explosivos lançados por
drones. O arsenal apreendido soma 122 armas, sendo 96 fuzis, 12 explosivos e
mais de 5,6 mil munições, avaliados em R$ 12 milhões.
As forças policiais mobilizaram 2.500
agentes — entre civis e militares — apoiados por blindados, drones e
helicópteros de observação.
O governo enfatiza que o uso da força
seguiu os parâmetros da ADPF 635, decisão do STF que regula operações em
comunidades, e sustenta que não houve mortes de civis alheios ao conflito.
Cenário de guerra
Mais letal da história do Rio de
Janeiro, a megaoperação Contenção das polícias do Rio de Janeiro já contabiliza
mais de 60 mortos, 81 presos e dezenas de armas e munições apreendidas. Ao
mesmo tempo, a população das comunidades está assustada com tantos tiros
Represália e caos urbano
Horas após a ofensiva, o CV
desencadeou uma série de ataques coordenados em resposta à operação.
O grupo impôs toques de recolher,
incendiou veículos e bloqueou vias importantes, como Avenida Brasil, Linha Vermelha
e Linha Amarela, além da BR-101 em São Gonçalo.
O governo descreve o episódio como uma
tentativa de “controle social e intimidação coletiva”, comparando o cenário ao
de 2010, quando o Rio viveu uma onda de ataques semelhante.
A dimensão nacional do crime
Os relatórios mostram que o Rio se
tornou ponto de convergência das principais facções brasileiras.
Entre os mortos ou presos estão
líderes de organizações de outros estados, como “PP” (Pará), “Chico Rato” e
“Gringo” (Manaus), “Mazola” e “DG” (Bahia), além de “Rodinha” (Goiás).
A SSINTE, setor de inteligência da
Polícia Civil, identificou rota de envio de drogas e armas partindo do Rio para
Minas Gerais e Bahia, coordenada por “Piter” ou “Pity”, chefe de uma
organização criminosa em Jacinto (MG).
Golpe financeiro bilionário
O balanço geral da Operação Contenção,
de abril a outubro de 2025, aponta o bloqueio de mais de R$ 6 bilhões em bens e
valores ligados à facção.
O governo trata o resultado como
“golpe sem precedentes na estrutura econômica do CV”, atingindo redes de
lavagem de dinheiro, tráfico de armas e financiamento de milícias.
Controvérsias e dificuldades na
perícia
O relatório também reconhece falhas na
preservação do local do confronto.
Moradores removeram corpos da área de
mata da Serra da Misericórdia e os levaram ao Hospital Getúlio Vargas e à Praça
da Penha, o que comprometeu a perícia.
O governo afirma que a decisão de não
isolar a área foi motivada pela necessidade de socorrer feridos sob fogo
intenso e pela impossibilidade material de estabilizar o terreno.
Diante da situação, a 22ª DP instaurou
inquérito por fraude processual para apurar a descaracterização dos corpos.
Transparência e controle
Para assegurar legalidade e
fiscalização, a operação contou com acompanhamento do Gaeco (Ministério
Público) e uso de câmeras corporais por equipes da Coordenadoria de Recursos
Especiais da Polícia Civil.
Os equipamentos registraram as ações e
permitiram rastreabilidade das imagens.
A operação também teve ambulâncias
posicionadas em pontos estratégicos e horário calculado para evitar o fluxo
escolar e o deslocamento de trabalhadores.
Um retrato da guerra urbana
Os documentos enviados a Alexandre de
Moraes mostram o esforço do governo fluminense em demonstrar planejamento,
transparência e observância legal diante de um inimigo descrito como
paramilitar e nacionalmente articulado.
A retórica do relatório é clara:
trata-se de um conflito entre o Estado e uma facção com características de
guerra irregular, onde o narcotráfico se funde à lógica do terrorismo.
Do R7, em Brasília

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