Haddad apontou também que o governo federal deu uma demonstração de integração para asfixiar financeiramente o crime organizado. WILTON JUNIOR
Ministro da Fazenda disse não ter
conhecimento do texto que será votado, e afirmou que há um ‘açodamento’ para o
voto aconteça sem uma discussão prévia com o governo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
voltou a criticar o deputado federal deputado Guilherme Derrite (PP-SP),
relator do Projeto de Lei (PL) Antifacção, e considerou que o parlamentar “não
é uma pessoa versada em investigação e inteligência contra o crime organizado”.
Derrite está licenciado do cargo de secretário de Segurança Pública do governo
de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O titular da Fazenda disse não ter conhecimento do texto que será votado, e
afirmou que há um “açodamento” para votar o texto sem uma discussão prévia com
o governo. “A Polícia Federal não é do governador A, B ou C, a Polícia Federal
é do País. A Receita Federal tampouco é de governo. São órgãos de Estado. E
enfraquecer esses órgãos de Estado não faz o menor sentido”, criticou.
Haddad apontou também que o
governo federal deu uma demonstração de integração para asfixiar
financeiramente o crime organizado. “O governo federal atua no andar de cima do
crime, com inteligência. A Polícia Federal desenvolveu um sistema de
inteligência. A todo momento nós estamos dando operação da Polícia Federal. É o
nosso órgão. Dá orgulho”.
E prosseguiu: “Vai colocar isso a
perder em função do açodamento de um relator que, com todo respeito, não é,
teoricamente, uma pessoa que entenda de inteligência, de investigação, não é
uma pessoa versada em investigação e inteligência contra o crime organizado.
Para que esse açodamento? Nada contra, o deputado não precisa ser especialista
em tudo. Mas, quanto menos se sabe, mais se busca apoio de quem sabe”. O
ministro ainda defendeu o projeto que visa combater o devedor contumaz, que
está há oito anos tramitando. “Isso combate o crime organizado. E por que não
vota? O que está por trás desse procedimento em relação a um projeto tão
importante que recebeu a chancela de todos os senadores da República, depois da
operação Carbono Oculto?”. O texto usado como comparação por Haddad está parado
na Câmara.
Dizendo desconhecer o último
relatório de Derrite, Haddad defendeu que o projeto seja deixado em consulta
durante algumas semanas para ser discutido. “Todos os governadores são filhos
de Deus. Não são? Tem que ouvir todo mundo”, disse, sem mencionar a ida de
governadores de direita à Câmara nesta quarta, em defesa do projeto de lei.
“Sequer os interessados estão sendo ouvidos, tudo sendo feito de forma
atabalhoada, por trás disso aí tem algum interesse, que não resiste à luz do
dia”.
O ministro recebeu mais cedo em
seu gabinete o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Ele disse não ter tratado com Andrei do projeto em análise na Câmara, mas sim
da integração “cada vez mais potente” entre a PF e a Receita Federal. “Nós
estamos refinando esses procedimentos, a troca de informações entre os dois
órgãos, estamos discutindo novos passos de integração. E nós precisamos do
apoio do Congresso para isso. Não podemos ter leis que mudam essa integração,
inclusive com os Ministérios Públicos Estaduais, e com as Polícias Estaduais,
tanto Civil quanto Militar, quando é o caso”
Haddad falou com jornalistas após
uma reunião no Palácio do Planalto sobre Orçamento. Ele não forneceu mais
detalhes sobre a agenda.
Por Jovem Pan

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