Copom mantém Taxa Selic a 15% pela terceira vez no ano | Rio das Ostras Jornal

Copom mantém Taxa Selic a 15% pela terceira vez no ano

DF - BC/COPOM/JUROS/REUNIÃO - ECONOMIA - Fachada do edifício-sede do Banco Central em Brasília, nesta quarta-feira, 29, onde ocorre a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob a gestão de Gabriel Galípolo. 29/01/2025. FÁTIMA MEIRA/ENQUADRAR

Decisão já era esperada pelos economistas, mesmo que desde as últimas reuniões os indicadores da atividade econômica tenham mostrado sinais de desaceleração

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, nesta quarta-feira (5), manter a taxa básica de juros da economia em 15%, o maior patamar em quase 20 anos. A decisão, que acontece pela terceira vez no ano, já era esperada pelos economistas do mercado financeiros, mesmo que desde as últimas reuniões – ocorrida em julho e setembro – os indicadores da atividade econômica tenham mostrado sinais de desaceleração, perda de tração do crédito e o recuo da inflação, o que reflete o impacto da política de juros sobre a economia.

O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. Já no o segundo, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Apesar da desaceleração da inflação, alguns preços, como o da energia, seguem pressimando o Copom. Contudo, a incógnita da própria inflação também interfere na decisão, isso porque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) ficou em apenas 0,18% em outubro e acumula 4,94% em 12 meses. O IPCA referente aos 31 dias de outubro só será divulgado no próximo dia 11.

Desde setembro de 2024, a taxa Selic já foi elevada sete vezes seguidas, e na ata da última reunião, em setembro, o Copom informou que a Selic será mantida em 15% ao ano por tempo prolongado. Eles citam a conjuntura econômica dos Estados Unidos e as tarifas impostas ao país como uma das principais razões de ‘maior impacto’

A Selic a 15% ao ano é o maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25%, e os especialistas do mercado financeiro acreditam que os cortes de juros só devem acontecer a partir de janeiro de 2026. Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até o fim de 2025 ou início de 2026.

Adriana Melo, CFO da SAS Brasil e mentora financeira, conectando estratégia, comportamento e propósito na forma de lidar com dinheiro, explicou que a decisão do Copom”fez questão de destacar em alto e bom som que não está com pressa de mudar isso”, e o “Banco Central reconheceu que os riscos para a inflação seguem mais elevados que o usual, tanto para cima quanto para baixo”, e que o cenário de tarifas americanas e incerteza fiscal pede cautela.

Com base no comunicado do Copom, Melo acrescenta que o BC vai seguir cauteloso, porque a política monetária ainda é a única âncora de credibilidade que o país tem, e que existiriam dois possíveis caminhos, o ‘hawkish’, que seria manter os juros altos por mais tempo para domar a inflação e proteger o câmbio, ou o ‘dovish’ que seria abrir espaço para cortes antes de 2026, caso a atividade esfrie e o dólar alivie.

JP

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