Após seis semanas de bloqueio, o Senado votou na segunda-feira a favor do fim do fechamento. WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Os republicanos têm uma maioria
muito apertada no Congresso, mas o partido tem demonstrado até o momento maior
disciplina de voto em ambas as câmaras
A paralisação governamental
(‘shutdown’) mais longa da história dos Estados Unidos se
encaminhava, nesta quarta-feira (12), para um provável fim na Câmara de
Representantes, onde a maioria republicana conseguiu se esquivar das demandas
mais exigentes dos democratas. Os republicanos têm uma maioria muito apertada
no Congresso, mas o partido tem demonstrado até o momento maior disciplina de
voto em ambas as câmaras. Os democratas, ao contrário, parecem divididos entre
uma liderança que quer manter a queda de braço com o governo e certos
legisladores moderados que já romperam fileiras e chegaram a um acordo sob
certas condições.
Debate sobre a saúde
Após seis semanas de bloqueio, o
Senado votou na segunda-feira a favor do fim do fechamento, graças à
participação de oito democratas e à oposição de apenas um republicano. Os
esforços dos democratas para tentar reabrir a grande discussão sobre os
subsídios para a cobertura de saúde acabaram frustrados. O Senado votou por
reenviar à Câmara dos Representantes um texto que não se compromete em nada
nesta frente. Os republicanos se limitaram a prometer um debate separado, a
curto prazo, sobre os auxílios para milhões de americanos pagarem sua cobertura
de saúde.
O comitê de Regras da Câmara dos
Representantes anunciou, nesta quarta-feira, que já aprovou por oito votos a
favor e quatro contra a lei para reabrir o governo, o que indica que sua
aprovação definitiva é provável no plenário. “Vamos reabrir nosso país, que
nunca deveria ter fechado”, comemorou o presidente Donald Trump.
Seus aliados no Congresso, o
presidente da Câmara de Representantes, Mike Johnson, e o líder da maioria no
Senado, John Thune, demonstraram firmeza ao longo de semanas de enorme pressão,
que incluiu cancelamentos de voos em todo o país devido à falta de
controladores aéreos, que não receberam salário durante quase dois meses.
O presidente americano assegurou
que a Câmara está pronta para prolongar os gastos públicos até janeiro.
“Somente aqueles que odeiam nosso país querem vê-lo fechado”, declarou à
emissora ESPN. “É muito triste. Fecharam o governo por mais de 40 dias, e para
que?”, acrescentou o chefe da bancada republicana na Câmara, Tom Emmer.
Nervosismo dos democratas
O líder da minoria no Senado, o
democrata Chuck Schumer, votou contra a reabertura, mesma posição mantida pelo
chefe da bancada dos representantes, Hakeem Jeffries, nesta quarta-feira. “A
assistência médica das pessoas neste país está prestes a se tornar impagável”,
afirmou Jeffries. A polêmica reside no “Obamacare”, a reforma de saúde aprovada
durante a presidência do democrata Barack Obama, que representava uma primeira
tentativa de introduzir uma cobertura de saúde pública universal em todo o
país.
Esta cobertura, que a Suprema
Corte determinou que não podia ser obrigatória, tem subsistido graças aos
créditos fiscais aprovados pelos democratas. Diante da crise da pandemia do
coronavírus, o democrata Joe
Biden estendeu em 2022 uma série de subsídios para ajudar milhões
de americanos a pagar esta cobertura. O prazo dos auxílios expira no final do
ano, o que pode fazer com que os valores subam consideravelmente.
Os republicanos argumentam que
estes subsídios deveriam ajudar apenas as classes mais desfavorecidas e não
serem estendidos de forma indiscriminada. Durante os acalorados debates sobre o
‘shutdown’ do governo, os republicanos também acusaram os democratas de querer
beneficiar milhões de imigrantes sem documentos.
As pesquisas mostraram que a
maioria da população atribuía a Trump e aos republicanos a responsabilidade
pelo fechamento, já que eles dominam a Casa Branca e o Congresso. Mas sua
unidade permaneceu quase sem fissuras, enquanto a indignação crescia na opinião
pública. O nervosismo acabou pesando mais nas fileiras democratas, que há
apenas uma semana comemoravam uma série de vitórias em seus redutos eleitorais,
incluindo a eleição de Zohran Mamdani, um candidato que se autodeclara
socialista, para comandar a Prefeitura de Nova York.
A renovação geracional acelera
neste partido. A veterana líder na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi,
anunciou sua aposentadoria na semana passada, e Schumer aparece cada vez mais
questionado no Senado.
Com informações da AFP

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