O petista comparou a situação ao caso do também ex-presidente Fernando Collor, condenado por corrupção e em prisão domiciliar. Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Para o ex-ministro, que já ficou
preso cinco vezes ao longo de seus quase 80 anos, o estado de saúde e o perfil
emocional do ex-presidente o impedem de cumprir pena no sistema carcerário
O ex-ministro da Casa Civil José
Dirceu (PT) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL),
condenado por liderar a trama golpista, “não tem condições de ir para a prisão
comum”. Ele também avalia que Valdemar Costa Neto,
presidente nacional do PL, é “um dos quadros da direita brasileira mais
qualificados”.
Em entrevista à BBC Brasil
publicada nesta segunda-feira (6), Dirceu disse que não acredita na
possibilidade de Bolsonaro ser enviado a um presídio comum como o Complexo
Penitenciário da Papuda. “Acho muito improvável que se possa colocar presos
vulneráveis no sistema penitenciário que é controlado pelo crime organizado. As
condições são péssimas”, afirmou.
Atualmente, o ex-presidente está
em prisão domiciliar por ter violado cautelares em investigação por coação e
ainda pode apresentar recursos contra sua condenação criminal. Na avaliação de
José Dirceu, que já ficou preso cinco vezes ao longo de seus quase 80 anos, o
estado de saúde e o perfil emocional de Bolsonaro o impedem de cumprir pena no
sistema carcerário: “Me parece que ele é uma pessoa psicossomática, que vai
acelerando, muito instável. Não é uma pessoa que tem autocontrole”.
O petista comparou a situação ao
caso do também ex-presidente Fernando Collor,
condenado por corrupção e em prisão domiciliar, mas relembrou que o
presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) cumpriu pena em uma unidade prisional. “Não foi
assim com o presidente Lula, né? Ele foi preso. É verdade que era uma prisão da
Polícia Federal”, observou.
Dirceu criticou políticos que
pedem redução de penas aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
“Esses que estão falando em diminuir as penas agora, nos últimos dez anos eles
aumentaram as penas para tudo no Brasil, sem condições do sistema penitenciário
receber (esses presos)”, disse. O relator do chamado “PL da Dosimetria”, Paulinho da Força (Solidariedade-SP),
estima que o projeto possa reduzir a pena de Bolsonaro “entre sete a 11 anos”.
Mesmo assim, bolsonaristas insistem em uma proposta de anistia para perdoar os
crimes.
Durante a entrevista, o
ex-ministro relembrou a convivência com Valdemar Costa Neto. Os dois foram
aliados nas articulações pela eleição de Lula em 2002 e, depois, dividiram cela
quando presos pelo mensalão. “Valdemar é o político mais hábil que tem na
direita, porque ele construiu um partido que tem 92 deputados e elegeu o
presidente da República. Então, não pode subestimar”, afirmou, acrescentando
que Valdemar é “um dos quadros da direita brasileira mais qualificados”.
José Dirceu pretende disputar
pela quarta vez uma vaga de deputado federal por São Paulo, em 2026. Segundo
ele, a candidatura atende a um pedido direto de Lula e será uma forma de
“reparação” após as prisões que considera injustas, nos casos do mensalão e da Lava Jato.
JP

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