O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste sábado (19), no Palácio da Alvorada, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o anúncio do governo dos Estados Unidos de que revogou o visto de entrada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de outros integrantes da Corte. O encontro ocorre também às vésperas da viagem oficial de Lula ao Chile, onde ele participará de um evento internacional em defesa da democracia.
Na sexta-feira (18), o secretário
de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou que determinou a suspensão do visto de
Moraes e de seus “aliados” no STF, além de familiares — embora não tenha
especificado os nomes dos outros ministros afetados pela medida.
Diante da escalada diplomática,
Lula classificou neste sábado a atitude dos Estados Unidos como uma ação
“arbitrária e completamente sem fundamento”.
“A interferência de um país no
sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do
respeito e da soberania entre as nações”, afirmou o presidente. “Estou certo de
que nenhum tipo de intimidação ou ameaça, de quem quer que seja, vai
comprometer a mais importante missão dos poderes e instituições nacionais, que
é atuar permanentemente na defesa e preservação do Estado Democrático de
Direito”, acrescentou.
A decisão de Washington veio
poucas horas após a operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair
Bolsonaro, que passou a usar tornozeleira eletrônica, está proibido de acessar
redes sociais e teve a circulação restrita por ordem judicial. O STF, até o
momento, não se manifestou oficialmente sobre a decisão dos EUA.
Pelas redes sociais, Rubio
afirmou que as sanções são uma resposta à “censura” promovida por Alexandre de
Moraes e que “a caça às bruxas política do juiz do Supremo Tribunal Federal
brasileiro Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um complexo de
perseguição e censura tão abrangente que não apenas viola os direitos básicos
dos brasileiros, mas também se estende para atingir os americanos”.
Rubio também alegou que o
ex-presidente Bolsonaro é alvo de uma perseguição judicial promovida pelo STF,
especialmente por Moraes, e declarou que o governo Donald Trump tomará medidas
contra “os responsáveis por censurar a liberdade de expressão nos Estados
Unidos”.
A viagem de Lula ao Chile está
prevista para este domingo (20). O presidente participará de um evento sobre
democracia e multilateralismo, organizado por seu homólogo chileno, Gabriel
Boric. O encontro já estava agendado desde fevereiro, mas ganha novos contornos
diante da atual crise diplomática entre Brasília e Washington.

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