O Google informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não tem condições de cumprir a determinação do ministro Alexandre de Moraes para fornecer dados sobre a autoria da chamada “minuta do golpe”, que circulou na internet após as eleições de 2022. A empresa alega que a decisão judicial não especifica uma URL hospedada por seus serviços, o que inviabiliza a identificação do conteúdo.
A manifestação foi enviada nesta
terça-feira (18), dentro do prazo de 48 horas concedido por Moraes. O pedido de
diligência partiu da defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que
tenta demonstrar que o documento encontrado em sua residência já circulava
publicamente na internet, e que ele não foi o autor nem o responsável por sua
divulgação.
“O cumprimento da decisão, da forma como
redigida, não é possível”, afirmou o Google, acrescentando que apenas indexa
páginas de terceiros em seu mecanismo de busca, sem relação direta com os
conteúdos nelas hospedados. “A presença de determinado resultado no buscador
não demonstra vinculação daquele conteúdo com sites hospedados ou vinculados a
serviços da Google.”
Segundo a empresa, a própria
defesa de Torres indicou como origem do conteúdo páginas de terceiros, como os
sites O Cafezinho e Conjur, que não são hospedados
pela Google. “Caso se entenda pela necessidade de fornecimento de dados ou
informações por parte dessas páginas, os pedidos devem ser formulados
diretamente aos seus administradores, responsáveis pelo seu conteúdo”,
destacou.
Ao STF, Torres afirmou em
interrogatório no último dia 10 que o documento ainda está disponível no
buscador. “A verdade, ministro, não é a minuta do golpe. Eu brinco que é a
minuta do Google, porque está no Google até hoje. Esse documento, ministro, foi
entregue no meu gabinete, no Ministério da Justiça.”
A “minuta do golpe” foi
apreendida em 2023 pela Polícia Federal na casa de Torres e, segundo a
investigação, poderia ser usada para embasar a decretação de um estado de
defesa com o objetivo de reverter o resultado das eleições presidenciais e
impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As apurações
também apontam que o conteúdo era de conhecimento do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL).
Gazeta Brasil

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