A acusação contra Durov tornou-se conhecida pouco após Macron ter se pronunciado sobre o caso para rejeitar categoricamente que a detenção fosse “uma decisão política” Steve JENNINGS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Ministério Público francês
argumentou que Durov foi detido por conta de uma investigação sobre uma dezena
de tópicos, incluindo cumplicidade na divulgação de imagens de pedofilia,
fraude e tráfico de drogas
O Kremlin solicitou
à França, nesta
terça-feira (27), provas tão convincentes como as acusações apresentadas ontem
contra o russo Pavel
Durov, criador da rede de mensagens Telegram que foi
detido no fim de semana em Paris.
“As acusações apresentadas são de fato muito sérias e requerem provas sérias”,
disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na sua entrevista coletiva
telefônica diária. Caso contrário, acrescentou, “será uma tentativa direta de
restringir a liberdade de comunicação e poderá até ser considerada uma
intimidação direta ao chefe de uma grande empresa”. “Ou seja, será óbvio que é
político, algo que ontem o sr. (presidente da França, Emmanuel) Macron negou”,
destacou.
Peskov expressou sua confiança de
que Durov possa se defender com a ajuda de seus advogados e admitiu que o fato
de também possuir cidadania francesa dificulta uma possível assistência
consular russa. O Ministério Público francês explicou ontem (27) que Durov foi
detido por conta de uma investigação sobre uma dezena de acusações, incluindo
cumplicidade na divulgação de imagens de pedofilia, fraude e tráfico de drogas.
A lista de acusações contra Durov inclui cumplicidade na administração de uma
plataforma online para permitir transações ilícitas por grupos criminosos
organizados, recusa em cooperar com as autoridades compartilhando documentos ou
informações necessárias para evitar atos ilegais e cumplicidade em fraudes e
tráfico de drogas, segundo comunicado do MP.
A acusação contra Durov tornou-se
conhecida pouco após Macron ter se pronunciado sobre o caso para rejeitar
categoricamente que a detenção fosse “uma decisão política”. Durov, de 39 anos,
foi preso na noite da última sexta-feira (23) quando chegou ao aeroporto
particular de Le Bourget, perto de Paris. Após a prisão, a rede de mensagens
criptografadas publicou um comunicado no qual assegurava que a plataforma
“cumpre as leis da União
Europeia, incluindo a Lei de Serviços Digitais” e que “sua moderação
está dentro dos padrões da indústria e está constantemente melhorando”. A
prisão de Durov, que nasceu em São Petersburgo mas
vive em Dubai desde
2017, causou uma onda de indignação entre deputados e senadores russos.
Os políticos, que até realizaram
uma manifestação de protesto em frente à embaixada francesa em Moscou, alegam que Durov é
perseguido por se recusar a subordinar-se aos ditames do Ocidente, como é o
caso da Rússia. Por outro lado, a imprensa independente recorda que as
autoridades russas aprovaram o bloqueio do Telegram em 2018, mas tiveram de
desistir dois anos após devido à incapacidade técnica para restringir suas
atividades. Eles também alegam que o Kremlin pressionou Durov a vender o
Vkontakte, o Facebook russo, o que levou à fundação do Telegram em 2013 e ao
seu posterior exílio.
Por Marcelo Bamonte
*Com informações da EFE

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