O grupo protesta contra as
mudanças para a obtenção de bolsas e auxílios da assistência estudantil
Rio - Alunos que ocupam a
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) desde a última sexta-feira (26)
não pretendem sair do local até que as reivindicações sejam atendidas. O grupo
protesta contra as mudanças para a obtenção de bolsas e auxílios da assistência
estudantil. Durante a manhã desta segunda-feira (29), equipes do DIA estiveram
no campus do Maracanã, na Zona Norte, onde a reitoria permanece isolada.
No domingo (28), a previsão era que a ocupação terminasse na noite desta
segunda após um protesto marcado para às 18h. No entanto, as
estudantes de história e biologia Carol Santos e Ana Carolina, respectivamente,
reforçaram que sem negociação, não haverá desocupação.
"Nossa reivindição é
revogação imediata da Aeda, que vai prejudicar principalmente os alunos negros
e pobres da nossa universidade. Não tivemos nenhum diálogo com nossa comunidade
estudantil, recebemos essa notícia nas nossas férias e desde que começamos a
ocupação estamos buscando uma negociação com a reitoria", disse Carol.
A revogação em que a estudante se refere é da medida anunciada por Gulnar
Azevedo, reitora da Uerj, de mudar os critérios para elegibilidade de bolsas e
auxílios de assistência estudantil. Em que a revisão da renda mínima necessária
para que estudantes de ampla concorrência possam acessar a Bolsa Auxílio
Vulnerabilidade Social (Bavs), com pagamento de R$ 706 por mês, tendo duração
de dois anos. Antes, para obter o benefício, era necessária a declaração de um
salário mínimo e meio, agora, é só meio salário.
Além disso, o grupo exige que
nenhum estudante que esteja lutando seja penalizado. "Não tivemos nenhuma
resposta. O que tivemos é que no sábado ninguém podia entrar aqui e a reitoria
não estava liberando, mas conseguimos uma negociação e o que foi garantido para
nós foi a livre circulação dos estudantes no espaço da ocupação para que entre
alimento, mas as mais principais pautas seguimos sem resposta", explicou
Carol.
No local, o DIA flagrou pichações nas paredes com frases como:
"Retroceder nunca" e "Devolve meu auxílio". Além de
adesivos colados pelas portas em forma de protesto.
"Foi divulgado que haveria
uma mesa de negociação, mas até agora nada foi confirmado. A nossa condição
para existir uma negociação é a não criminalização, e a gente entende a não
criminalização de quem está na ocupação, quem tá indo e vindo. A ocupação só
vai deixar de existir a partir da revogação da Aeda. Ninguém tem objetivo de
ficar aqui morando, se for revogada a gente sai. Todo mundo quer se formar,
quer ter aula, mas não tem como a gente vir se não tiver uma condição básica de
permanência", relatou Ana Carolina.
Os alunos pretendem lutar ainda por mais orçamento. "Estamos sobrevivendo
há um ano com menos da metade do orçamento necessário, e aí o primeiro a ser
cortado foi dos estudantes e toda política de desenvolvimento que temos aqui
foi conquistada pelos estudantes. Nosso objetivo é se formar, mas a gente
precisa de condições para isso, a gente é trabalhador, a gente é pai, mãe,
filho, ninguém quer ser criminalizado. Não dá pra todo mês a gente ficar
suplicando por orçamento", complementou a aluna.
Segundo os manifestantes, a nova medida apresentada pela reitoria, prevê ainda
cortes no auxílio alimentação e passagem, R$ 300 cada, e redução pela metade no
auxílio para material didático, que costumava cobrir o valor de R$ 1,2. Eles
pedem recomposição orçamentária no valor de R$ 100 milhões para garantir os
pagamentos das bolsas e auxílios no segundo semestre.
Em nota, a gestão da Uerj informou que segue procurando o diálogo com os
estudantes no sentido de desocupar a Reitoria imediatamente de modo a não
prejudicar o pleno funcionamento da universidade.
"A presença deles em área restrita impõe riscos à segurança dos dados da
Uerj, pode comprometer a atividade administrativa e prejudicar a preparação
para a volta às aulas. Apesar de a ocupação ter acontecido sem qualquer pedido
de reunião, a Reitoria ratifica que tem garantido os direitos básicos, a
exemplo do acesso a luz, alimentação e remédios", finalizou em comunicado.
O Dia
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