Medida começou a valer à
meia-noite desta terça-feira; Sindicato de Imprensa de Buenos Aires acusa o
governo de censura
O governo argentino suspendeu
nesta terça-feira (21) as contas nas redes sociais e sites de meios de
comunicação públicos no âmbito de um processo de “reorganização” com o
“objetivo de melhorar (…) o conteúdo gerado”, em uma medida acusada de
“censura” pela categoria. A medida inclui a Televisión Pública, a Radio
Nacional e todas suas emissoras afiliadas, o canal educativo Encuentro e o
canal infantil Paka Paka. De acordo com comunicado de Diego Martín Chaher,
interventor da mídia pública nomeado pelo governo, “somente o gerente de mídia
digital e institucional” será responsável pela administração das redes da
Televisão Pública e da Rádio Nacional. “Foi tomada a decisão de pausar
temporariamente todos os conteúdos das redes sociais e sites dos meios de
comunicação públicos”, segundo um comunicado publicado em todas as contas dos
veículos estatais nas plataformas digitais.
Esta é mais uma medida do governo
do presidente Javier Milei contra a imprensa estatal, a qual o
ultradireitista acusa de ser um instrumento “de propaganda” e que incluiu em um
projeto de lei de privatização. A medida começou a valer à meia-noite desta
terça-feira. “Todo tipo de transmissão e/ou veiculação de conteúdo em redes
sociais está suspenso até que se estabeleçam as mudanças de critérios”,
acrescentou o comunicado. A mensagem que aparece nos sites descritos é idêntica
à publicada em março no site da “Télam”, a agência de notícias estatal que foi
fechada pelo governo porque, de acordo com ele, “foi usada nas últimas décadas
como uma agência de propaganda kirchnerista”.
O Sindicato de Imprensa de Buenos
Aires (Sipreba) emitiu um comunicado no qual rejeita “o silenciamento das redes
sociais de ambos os meios de comunicação (Radio Nacional e Televisión Pública)
e acusou a medida de “censura e intimidação que se soma ao silenciamento da
Télam”, agência de notícias do Estado cujo Executivo anunciou a suspensão em
março. Agustín Lecchi, secretário do Sindicato da Imprensa de Buenos Aires
(SiPreBA), declarou, acrescentando que isso aprofunda o “esvaziamento” da mídia
pública, um processo que começou com as medidas tomadas pelo Executivo sobre a
“Télam”. “Eles não estão interessados na reestruturação, não estão interessados
na situação financeira de cada um desses órgãos, e alguns eram lucrativos e
tinham uma boa situação econômica. A única coisa que lhes interessa é destruir,
eles estão atacando seu papel social e é por isso que atacaram as
corresponsabilidades da “Télam” e das estações da “Rádio Nacional”, e agora
estão atacando seu poder de alcançar as redes sociais”, comentou.
Além da suspensão, o governo
também cortou o pagamento de horas extras e feriados na Radio Nacional, o que
fez com que as 49 emissoras do interior do país tivessem que suspender a
programação dos finais de semana e transmitir os programas de Buenos Aires. Em
funcionamento desde 1937, a rádio pública na Argentina possui uma das poucas
emissoras bicontinentais do mundo, a de Río Grande na Ilha Grande da Terra do
Fogo (sul), que também pode ser ouvida em parte da Antártida, nas Ilhas
Malvinas e nas Ilhas do Atlântico Sul. A Televisión Pública, por sua vez,
começou a ser transmitida em 1951 e foi a primeira emissora televisiva da
Argentina.
Por Jovem Pan
*Com informações da AFP e EFE

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