O ministro do Supremo Tribunal
Federal participou nesta quarta-feira (17) da sessão de apresentação do
anteprojeto de reforma do Código Civil, e antes se encontrou com o presidente
da Câmara
O ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF), Alexandre de
Moraes, participou nesta quarta-feira (17) da sessão de apresentação do
anteprojeto de reforma do Código Civil, realizada no plenário do Senado. A
presença do ministro ocorreu de última hora, um dia após a Casa aprovar em dois
turnos a PEC das Drogas, que confronta o julgamento do STF sobre a
descriminalização da maconha para uso pessoal. Durante a sessão de hoje, Moraes
defendeu a regulamentação das redes sociais e afirmou que antes delas existirem
“éramos felizes e não sabíamos”. “Vossa Excelência lembrou que na virada do
século não existiam redes sociais. Nós já éramos felizes e não sabíamos. A
necessidade da regulamentação de novas modalidades contratuais que surgiram, a
questão de costumes, novas relações familiares, novas modalidades de se tratar
nas questões do direito de família e sucessões, a tecnologia, a inteligência
artificial, novas formas de responsabilidade civil. Isso é importantíssimo”,
afirmou Moraes. A responsabilização jurídica das empresas é um dos temas
abordados na proposta de nova redação do código.
De acordo com o ministro, a
atualização do Código
Civil, vigente desde 2002, servirá para solucionar desentendimentos
jurídicos. “Quanto mais moderna, quanto mais simplificada for, menos litígios
vamos fazer surgir, menos problemas sociais nós vamos ter”, disse. O
anteprojeto foi elaborado por uma comissão composta por 40 juristas, presidida
pelo ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre
as mudanças propostas pelo grupo, estão a transmissão hereditária de contas nas
redes sociais, critérios para criação de imagens de pessoas mortas por
inteligência artificial, garantia do casamento civil para a população LGBTQIA+,
reconhecimento jurídico de pets e regulamentação da doação de órgãos.
O Código Civil é um conjunto de
normas que impactam o dia a dia dos cidadãos brasileiros, como regras sobre
casamento, divórcio, herança e contratos. A atual legislação foi sancionada em
2002 e entrou em vigor no ano seguinte, em substituição à lei anterior, de
1916. Até 2023, o Congresso havia feito 63 alterações no
código. A proposta de mudanças feita pelo colegiado é ampla e sugere mais
de mil revisões e atualizações na lei.
Encontro com Arthur Lira
Antes da sessão, Moraes se
encontrou com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
diante da crise entre os Poderes, que inclui um movimento para criar uma
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)
para apurar supostos abusos de autoridade pelo magistrado e outros ministros do
Supremo. O pedido para a criação do colegiado foi protocolado no final de
novembro, após a coleta de 171 assinaturas requeridas pelo Regimento Interno da
Casa. Cinco meses depois, a CPI ainda não foi instalada por Lira, mas o
alagoano pretende tirar o requerimento, junto com outros, da gaveta, como forma
de responder ao novo atrito na relação entre o presidente da Câmara e o
Palácio do Planalto.
A pressão de deputados da
oposição ao governo Lula pelo início dos trabalhos da CPI aumentou desde a
semana passada, após o empresário Elon Musk, dono do
X (antigo Twitter), afirmar que Moraes é um “ditador” que promove censura
contra a plataforma.
Por Jovem Pan
*Com informações do Estadão Conteúdo

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