Em nota, o Itamaraty afirmou que
o governo de Netanyahu não possui ‘qualquer limite ético’
O Ministério das Relações
Exteriores (MRE) lamentou nesta sexta-feira, 1°, a morte dos mais de 100 civis
palestinos vítimas de um ataque de Israel, enquanto aguardavam a distribuição
de ajuda humanitária nesta quinta-feira, 29, no norte da Faixa de Gaza. Segundo
o Itamaraty,
trata-se de uma “situação intolerável, que vai muito além da necessária
apuração de responsabilidades pelos mortos e feridos de ontem.” Em nota, o
governo brasileiro disparou críticas ao governo do primeiro-ministro de
Israel, Benjamin
Netanyahu, e afirmou que cabe à comunidade internacional dar um “basta”
no que acontece na região para evitar “novos massacres”. “O governo Netanyahu
volta a mostrar, por ações e declarações, que a ação militar em Gaza não tem
qualquer limite ético ou legal. E cabe à comunidade internacional dar um basta
para, somente assim, evitar novas atrocidades. A cada dia de hesitação, mais
inocentes morrerão. A humanidade está falhando com os civis de Gaza. E é hora
de evitar novos massacres”, iniciou.
“Autoridades da ONU e
especialistas em ajuda humanitária e assistência de saúde de diferentes
organismos e entidades vêm denunciando há meses a sistemática retenção de
caminhões nas fronteiras com Gaza e a situação crescente de fome, sede e
desespero da população civil. Ainda assim, a inação da comunidade internacional
diante dessa tragédia humanitária continua a servir como velado incentivo para
que o governo Netanyahu continue a atingir civis inocentes e a ignorar regras básicas
do direito humanitário internacional. Declarações cínicas e ofensivas às
vítimas do incidente, feitas horas depois por alta autoridade do governo
Netanyahu, devem ser a gota d’água para qualquer um que realmente acredite no
valor da vida humana”, completou o Itamaraty.
O governo brasileiro relembrou
que desde o início do conflito foram contabilizadas mais de 30 mil mortes de
civis palestinos e pediu urgência por um cessar-fogo. “O Brasil reitera a
absoluta urgência de um cessar-fogo e do efetivo ingresso em Gaza de ajuda
humanitária em quantidades adequadas, bem como a libertação de todos os
reféns”, finalizou a nota.
Em
comunicado, o porta-voz do Ministério da Saúde do Hamas, Ashraf Al
Qudra, afirmou que o número de mortos atingidos pelo ataque da rua Al Rashid é
de 104, além de 760 feridos. Do outro lado, o exército israelense informou que
os tiros foram disparados depois que os soldados se sentiram “ameaçados”, mas
negaram a responsabilidade pelas mortes. O ministro da Segurança Nacional de
Israel, Itamar Ben Gvir, pediu a suspensão da entrada de ajuda humanitária na
Faixa de Gaza por “colocar em perigo” a vida dos soldados. “Hoje demonstrou que
a transferência de ajuda humanitária para Gaza não é só uma loucura enquanto os
nossos sequestrados são presos na Faixa em condições precárias, mas também
colocam em perigo os soldados”, escreveu Ben Gvir na rede social X.
Por Karoline Cavalcante, de Brasília

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