Alerj suspende efeitos da decisão judicial que afastava a deputada Lucinha do mandato | Rio das Ostras Jornal

Alerj suspende efeitos da decisão judicial que afastava a deputada Lucinha do mandato

Foto: Thiago Lontra e Julia Passos  















Assembleia Legislativa vai instaurar processo disciplinar em relação à

parlamentar no Conselho de Ética da Casa.







A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) suspendeu

nesta quinta-feira (08/02), em sessão plenária, as medidas cautelares da

decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) que

afastava do mandato por tempo indeterminado a deputada Lucinha (PSD). O Projeto

de Resolução 610/24 teve 52 votos favoráveis e 12 contrários.







Os parlamentares também aprovaram a abertura de investigação contra

Lucinha no Conselho de Ética do Parlamento Fluminense por quebra de decoro

parlamentar. A resolução será publicada no Diário Oficial do Legislativo e a

parlamentar poderá voltar a atuar na Casa até esse processo ser finalizado.







Presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar, afirmou que a decisão

respeita a harmonia e independência dos poderes, já que constitucionalmente o

Parlamento é o responsável por decidir sobre prerrogativas e mandatos dos

deputados.







"O Ministério Público, na envergadura de sua função, fez o que

tinha que fazer: investigar e denunciar. E a nós, Poder Legislativo, coube

decidir sobre a prerrogativa ou não dessa questão que nos foi passada pelo

Judiciário", disse Bacellar.







Em sua decisão, o próprio desembargador do TJRJ, Benedicto Abicair, já

determinava que Alerj tinha que se manifestar quanto ao afastamento do cargo

pela deputada Lucinha.







Na defesa de Lucinha, enviada à Comissão de Constituição e Justiça

(CCJ) da Alerj, a parlamentar pontuou que a medida cautelar era inócua, porque

não existia nenhum elemento novo e a investigação é antiga.







Antes da decisão do plenário, a CCJ já havia se reunido duas vezes

para debater esse tema. Foram os parlamentares da comissão que elaboraram o

projeto de resolução votado em plenário. Presidente e relator do caso na CCJ, o

deputado Rodrigo Amorim (PTB) afirmou que a decisão da Alerj tem o intuito de

resguardar o mandato de todos os deputados. Ele disse que Lucinha será julgada

pelos pares e poderá, inclusive, perder o mandato rapidamente se este for o

entendimento do Conselho de Ética da Casa, sem ter que esperar o trânsito em

julgado do seu processo na Justiça.







“Os deputados de diferentes partidos políticos e ideologias

concordaram em salvaguardar a premissa constitucional de que a Alerj que trata

dos mandatos parlamentares. Estamos preservando a autonomia do Legislativo. A

decisão de hoje independe de mérito. Em nenhum momento estamos passando a mão

na cabeça da deputada. Pelo contrário, acredito que a investigação no Conselho

de Ética possa ser muito mais célere do que a da Justiça, já que não há tantas

instâncias e sem decisões monocráticas que cabem mais recursos como na

Justiça”, explicou Amorim.







Durante a votação, parte dos deputados da bancada de esquerda elaborou

uma emenda parlamentar com o intuito de estipular um prazo de 120 dias para o

afastamento de Lucinha. Encabeçados pelo decano da Alerj, deputado Carlos Minc

(PSB), esses deputados argumentaram que o prazo não cassaria o mandato e daria

mais tempo para que todos os integrantes do Parlamento se inteirassem do

assunto, não somente os membros da CCJ - únicos parlamentares que tiveram

acesso ao processo que está sob segredo de justiça. No entanto, a emenda foi

derrubada pois a maioria dos deputados entendeu que a votação na Alerj não

poderia modificar uma decisão da Justiça, tendo que somente referendá-la ou

derrubá-la.







Conselho de Ética







Com a decisão soberana dos deputados em plenário, a investigação

contra Lucinha acontecerá automaticamente e de forma imediata pelo Conselho de

Ética, sem a necessidade de manifestação da Corregedoria da Alerj, comandada

atualmente pelo deputado Chico Machado (SDD). O Conselho de Ética terá 120 dias

para concluir o julgamento.







Presidente do Conselho, deputado Júlio Rocha (Agir), explicou que o

próximo passo do grupo será se reunir com a Procuradoria da Alerj para saber

exatamente qual será o rito do processo. O parlamentar afirmou que o grupo

atuará com isenção e legalidade, respeitando o direito de ampla defesa. “Este é

um caso novo, em que o Conselho foi acionado pelo parlamento como um todo e não

pela Corregedoria ou Mesa Diretora. Com isso, para respeitarmos toda a

legalidade do processo, vamos confirmar todos os trâmites com a Procuradoria

antes do início do julgamento”, disse.









O processo será regido pelas normativas do Código de Ética da Alerj.

Qualquer decisão tomada por ele deverá ser submetida e ratificada em plenário.

Atualmente, além de Júlio Rocha, o conselho é composto pela vice-presidente

Martha Rocha (PDT) e pelos deputados Jorge Felippe Neto (Avante), Felipinho

Ravis (SDD), Dani Monteiro (PSol), Renato Miranda (PL) e Cláudio Caiado (PSD).

Os suplentes são os deputados Dionísio Lins (PP) e Andrezinho Ceciliano (PT).





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