O vereador Thammy Miranda (PL) se
desculpou com o padre Júlio Lancellotti em uma live nas redes sociais nesta
quinta-feira (4). Thammy havia assinado o requerimento feito pelo vereador
Rubinho Nunes (União Brasil) para a criação de uma CPI que mira o religioso na
Câmara Municipal de São Paulo. Contudo, anunciou nesta quinta-feira que estava
retirando o apoio.
O documento assinado por Thammy e
outros vereadores não citava investigações contra o padre, o que foi depois
verbalizado por Rubinho Nunes em entrevistas e nas redes sociais.
“Quando eu assinei a CPI, em
nenhum momento foi citado o nome do senhor”, disse Thammy, reforçando que
“jamais teria assinado” algo nesse sentido.
Thammy disse que o trabalho que o
religioso faz, de ajudar as pessoas, é também o que ele faz. Na transmissão, o
vereador aproveitou para pedir que seus seguidores ajudem em uma vaquinha que o
padre está fazendo para ampliar os serviços de ajuda à população de rua e
ofereceu também, ele próprio, ajuda financeira.
Padre Júlio agradeceu pelo que
chamou de “gentileza e transparência” de Thammy Miranda. “Importante que mesmo
que nos joguem em posições falsas, antagônicas, nós somos capazes de romper
essas barreiras’.
Retirada de nomes CPI coloca
em dúvida viabilidade da proposta
Além de Thammy, ao menos mais
três vereadores anunciaram que retiraram o apoio à iniciativa, após a
divulgação do nome dos vereadores que assinaram o documento. A mudança de
posição coloca em dúvida a viabilidade da proposta. A CPI precisa ser pautada
pelos líderes e aprovada pela maioria em plenário para sair do papel. O autor
do pedido não atendeu a reportagem para comentar o caso.
Reação de ONGs e do padre
Júlio Lancellotti
A CPI articulada na Câmara de São
Paulo tem por objetivo investigar organizações não governamentais (ONGs) que
atuam na Cracolândia, região central de São Paulo. O autor da proposta,
vereador Rubinho Nunes (União), prevê que a comissão será instaurada em
fevereiro, após o recesso parlamentar. Segundo ele, o padre Júlio Lancellotti
será um dos principais alvos da CPI das ONGs.
Rubinho acusa as organizações de
promoverem uma “máfia da miséria”, que “explora os dependentes químicos do
centro da capital”. Segundo ele, essas organizações recebem dinheiro público
para distribuir alimentos, kit de higiene e itens para o uso de drogas, prática
conhecida como política de redução de danos, à população em situação de rua, o
que, argumenta ele, gera um “ciclo vicioso” no qual o usuário de crack não
consegue largar o vício.
O sacerdote diz que seus
trabalhos estão vinculados à Ação Pastoral da Arquidiocese de São Paulo, que,
por sua vez, “não se encontra vinculada, de nenhuma forma, às atividades que
constituem o objetivo do requerimento aprovado para criação da CPI em questão.”
O padre Júlio Lancellotti afirma
que se trata de uma ação legítima quando se instala uma CPI para investigar o
uso de recursos públicos pelo terceiro setor. Ele acrescenta que não faz parte
de nenhuma organização conveniada à Prefeitura de São Paulo, mas, sim, da
Paróquia São Miguel Arcanjo.
A Craco Resiste, um dos alvos do
vereador, informou que não é uma ONG e sim um projeto de militância que atua na
região da Cracolândia para reduzir danos a partir de vínculos criados por
atividades culturais e de lazer.

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