Especialistas apontam reflexos do
veto dos Estados Unidos à resolução do Brasil sobre guerra; colegiado volta a
se reunir nesta terça-feira, 24
O amplo debate no Conselho
de Segurança da ONU (Organização
das Nações Unidas) sobre o Oriente Médio acontece sob a
incerteza do que o órgão poderá decidir em relação ao conflito entre Israel e o grupo
terrorista Hamas.
Com o veto dos Estados Unidos,
o conselho rejeitou em menos de uma semana a segunda proposta apresentada sobre
a guerra. Inclusive, a última delas foi o texto elaborado pelo Brasil, que preside o
conselho, que tentou atender os membros permanentes. Na resolução, havia a
“condenação inequívoca” do Hamas por seus ataques a Israel, a libertação
“imediata e incondicional” de todos os reféns civis, a revogação da ordem
israelense para que civis e funcionários da ONU se desloquem para o sul de Gaza
e pausas humanitárias para permitir o acesso à ajuda durante o conflito. Com a
reunião, a diplomacia brasileira também pretendia colocar em votação uma resolução
determinando a criação de um corredor humanitário na Faixa de Gaza. Para
especialistas, o impasse aprofunda a crise política e revela a dificuldade das
potências de chegar a um consenso capaz de frear os ataques no Oriente Médio.
A Rússia acusa
os americanos de terem interesse direto no prolongamento do conflito, avalia o
especialista em relações internacionais Valdir Bezerra.
“Podemos esperar que nas próximas
reuniões do conselho a Rússia vá continuar insistindo em um estabelecimento de
cessar-fogo na região, no estabelecimento de corredores humanitários, além de
insistir para que os dois lados sentem-se a mesa para resolver essa situação”.
Já o professor de direito internacional Manuel Furriela diz que mais uma vez o
poder de veto impediu uma decisão considerada urgente. “A solução encaminhada
pelo Brasil era muito consistente. Um plano sólido para favorecer a pacificação
da região e para que conseguissem atender os direitos humanitários dos civis
que estão sendo impactados pelo conflito”, explicou. Ao vetar a resolução brasileira
na última semana, os Estados Unidos alegaram que no texto não tinha menção ao
direito de Israel se defender. Para Furriela, o Conselho de Segurança da ONU
ainda não tem assumido um papel de destaque sobre o conflito. Ele defende
mudanças no órgão. “O mundo de 1945, quando foi criado esse conselho neste
modelo, não está atualizado. Não só porque o Brasil poderia ser um forte
candidato a ser membro permanente, mas também porque outros que não são
contemplados, como a Alemanha e o Japão”. O especialista em relações
internacionais Carlos Rifan prevê ampla discussão antes de qualquer
modificação. “Os EUA estão mais fortalecidos do que nunca. Uma mudança se quer
é cogitada nas conversas particulares, principalmente nesse cenário mundial que
estamos vivendo”, comentou. Nesta
terça-feira, 24, o Conselho de Segurança da ONU volta a debater o conflito
entre Israel e Hamas.
Por Jovem Pan
*Com informações da repórter Letícia
Miyamoto.

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