Presidente minimizou as
alterações aprovadas pelo Legislativo, afirmou que o ‘jogo começou’ e que
ninguém deve se assustar com a política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
afirmou, na noite desta quinta-feira, 25, que o desmonte promovido pelo
Congresso Nacional na análise da medida provisória que reestruturou a Esplanada
dos Ministérios é “normal” e minimizou a crise criada com a aprovação do
relatório do deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL), que esvaziou,
principalmente, os ministérios do Meio Ambiente, de Marina Silva, e dos Povos
Originários, de Sônia Guajajara. A declaração de Lula foi dada em um evento do
Dia da Indústria, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp). O petista também disse que agora o governo tem que “jogar” e negociar
com os parlamentares. “Tem dias que a gente acorda com notícias parecendo que o
mundo acabou. Eu fui ler as notícias hoje, na verdade, tudo parecia normal. Uma
comissão do congresso querendo mexer numa estrutura de governo que é difícil de
mexer. Agora que começou o jogo. O que a gente não pode é se assustar com a
política. Quando a sociedade se assusta com a política e começa a culpar a
classe política, o resultado é infinitamente pior. É na política que se tem as
soluções dos grandes e pequenos problemas do país”, disse Lula.
O relatório de Bulhões foi
aprovado por uma comissão mista, composta por deputados e senadores, por 15
votos a 3, na tarde da quarta-feira, 25. O texto ainda precisa passar pelos
plenários da Câmara e do Senado até a quinta-feira, 1º, quando caduca, ou seja,
perde a validade, o que poderia, no limite, paralisar o governo federal. O
parecer do emedebista retira da pasta comandada por Sônia Guajajara a
demarcação de terras indígenas, razão existencial da pasta. Por outro lado, o
texto retira do Ministério do Meio Ambiente a Agência Nacional de Águas e
Saneamento Básico (ANA) e a Política Nacional de Recursos Hídricos – os órgãos
passaram para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, sob o
comando de Waldez Góes, indicado pelo senador Davi Alcolumbre (União
Brasil-AP), para o cargo. O Cadastro Ambiental Rural (CAR), motivo de grande
interesse da bancada ruralista, também deixa o guarda-chuva de Marina Silva e
vai para o Ministério da Gestão, de Esther Dweck. Como a Jovem Pan mostrou, a aprovação do relatório
fortaleceu o Centrão e escancarou uma divisão no governo Lula. Nas suas redes
sociais, a deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann,
afirmou que a reestruturação da Esplanada ocorreu para “abraçar a diversidade
brasileira e as necessidades do Estado e agora a direita quer mudar tudo no
estilo à lá Bolsonaro, prejudicando em especial a área indígena”.
Também em seu Twitter, a ministra
Marina Silva (Rede) chamou a tentativa de retirada da Funai do Ministério dos
Povos Indígenas de “um dos piores sinais que podemos dar”. “São 500 anos de
história. Estamos dizendo que os indígenas não tem isenção para fazer o que é
melhor para eles mesmos? Daqui a pouco vai se fazer uma lei para dizer que o
Ministério da Fazenda não tem isenção para ficar com a Receita Federal, porque
afinal de contas o que o ministério quer é arrecadar”, comparou a deputada
federal eleita. Sônia Guajajara (PSOL), ministra dos Povos Originários, chamou
a iniciativa do Congresso de “equívoco perigoso” e considerou que a medida
coloca em risco direitos dos indígenas, abrindo espaço para influências
políticas e interesses econômicos. Em contrapartida, o ministro das Relações
Institucionais, Alexandre Padilha (PT), seguiu caminho contrário e
elogiou o relatório da Medida Provisória. Segundo o petista, o texto é
“equilibrado”. “[Isnaldo Bulhões] Fez um relatório dialogando com o conjunto do
governo. É natural que o Congresso Nacional, sobretudo na comissão mista, que
debate Câmara e Senado, queira fazer contribuições. São contribuições que
mantêm o espírito inicial da reestruturação do governo. Tem reformulações que
são as visões do relator, do presidente da comissão”, disse. Já o perfil do PT
no Senado disse que a aprovação do parecer favorável à MP na Comissão Mista era
uma “vitória”, já que os ministérios poderiam voltar à configuração antiga em
caso de não votação da medida. “A maioria do Congresso impediu que a
extrema-direita derrubasse a MP que reorganiza a estrutura ministerial. A luta
continua”, pontuou. A posição do perfil da sigla contrasta em absoluto com a
visão externada por Gleisi, dirigente petista, em mais um sinal de que o
movimento do Congresso causou uma espécie de curto-circuito nas hostes do PT.
Por Jovem Pan

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