Problemas nos aeroportos do
Galeão e do Santos Dumont estão longe de uma solução
As medidas que o governo federal
pretende apresentar para reverter o processo de esvaziamento do Galeão,
aeroporto internacional do Rio de Janeiro, são consideradas paliativas
pelo Estado e
pela prefeitura.
Segundo as autoridades, as ações
sugeridas pelo governo não são efetivas para reduzir o superlativo número de
voos no Santos Dumont, o aeroporto localizado no centro, e devolver
protagonismo ao Galeão, que tem operado bem abaixo da capacidade.
“Não resolvem nada. As medidas
são absolutamente paliativas, não encaram de frente o problema. A redução da
capacidade do Santos Dumont não está sendo enfrentada”, disse o secretário de
Casa Civil do Estado, Niccola Miccione.
Na terça-feira 25, o ministro dos
Portos e Aeroportos, Márcio França, vai se reunir com o governador Cláudio
Castro e o prefeito Eduardo Paes.
Uma das medidas da União é a
transferência, para o Galeão, de um centro de distribuição dos Correios. A
expectativa é de que o equipamento ajude a movimentar o aeroporto, cuja
concessão está em processo de devolução pela empresa Changi, de Singapura.
Outra sugestão seria condicionar
a política de incentivo fiscal no querosene de aviação (QAV) ao maior uso do
Galeão. A ideia é que a alíquota reduzida de ICMS no Rio de Janeiro, hoje em
7%, só possa ser aplicada no aeroporto no Santos Dumont caso as empresas
ampliem as operações no equipamento esvaziado.
“Não vai adiantar nada, pois a
redução do ICMS para o QAV na lei aprovada na assembleia, que está em vigor, é
só para o Galeão e nunca foi para o Santos Dumont”, alegou Eduardo Paes. O
secretário da Casa Civil endossa o argumento e chama de “balela” a ideia
ventilada pela Secretaria de Aviação Civil.
O Rio de Janeiro vem insistindo
na necessidade de redução do número de voos do Santos Dumont, que, hoje, tem
sido usado até como local de embarque para viagens internacionais — com escalas
em Guarulhos, por exemplo.
O problema
Os dois aeroportos mais
importantes do Rio de Janeiro deveriam trabalhar juntos para ampliar a
capacidade da cidade de receber voos. Contudo, essa não é a realidade atual do
Galeão e do Santos Dumont.
Enquanto o maior deles, o Galeão,
na Ilha do Governador, vem perdendo um número grande de passageiros a cada ano,
o Aeroporto Santos Dumont, no centro, está operando no limite de sua capacidade
e provocando atrasos e filas enormes.
Em 2014, no primeiro ano de
administração privada do Galeão, o total de passageiros embarcando e
desembarcando no aeroporto chegou a 17 milhões. Já em 2022, a empresa registrou
a presença de 6 milhões de passageiros no aeroporto. Já o Santos Dumont, no ano
passado, registrou mais de 10 milhões de passageiros.
Recentemente, a Infraero revisou
a capacidade do Santos Dumont de 9,9 milhões de passageiros por ano para um
contingente também anual de 15,3 milhões de pessoas. Aumentou, assim, o que já
era considerado altíssimo pelas autoridades do Rio de Janeiro.
O secretário de Casa Civil rechaça
o argumento de que o Galeão, na zona norte, é de difícil acesso, algo também
ressaltado sempre pela prefeitura.
O Galeão fica a apenas 17
quilômetros do centro do Rio, mas parte da população o considera perigoso por
precisar pegar a via expressa Linha Vermelha, na zona norte, para chegar até
ele.
A Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac) informou que trabalha junto com o ministério na busca de
alternativas para o Galeão e o Santos Dumont.
REDAÇÃO OESTE

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