Estado e Prefeitura do Rio de Janeiro criticam governo federal | Rio das Ostras Jornal

Estado e Prefeitura do Rio de Janeiro criticam governo federal

Desde 2014, o aeroporto internacional do Galeão perdeu
 mais de 10 milhões de passageiros | Foto: Foto: Divulgação

Problemas nos aeroportos do Galeão e do Santos Dumont estão longe de uma solução

As medidas que o governo federal pretende apresentar para reverter o processo de esvaziamento do Galeão, aeroporto internacional do Rio de Janeiro, são consideradas paliativas pelo Estado e pela prefeitura.

Segundo as autoridades, as ações sugeridas pelo governo não são efetivas para reduzir o superlativo número de voos no Santos Dumont, o aeroporto localizado no centro, e devolver protagonismo ao Galeão, que tem operado bem abaixo da capacidade.

“Não resolvem nada. As medidas são absolutamente paliativas, não encaram de frente o problema. A redução da capacidade do Santos Dumont não está sendo enfrentada”, disse o secretário de Casa Civil do Estado, Niccola Miccione.

Na terça-feira 25, o ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, vai se reunir com o governador Cláudio Castro e o prefeito Eduardo Paes.

Uma das medidas da União é a transferência, para o Galeão, de um centro de distribuição dos Correios. A expectativa é de que o equipamento ajude a movimentar o aeroporto, cuja concessão está em processo de devolução pela empresa Changi, de Singapura.

Outra sugestão seria condicionar a política de incentivo fiscal no querosene de aviação (QAV) ao maior uso do Galeão. A ideia é que a alíquota reduzida de ICMS no Rio de Janeiro, hoje em 7%, só possa ser aplicada no aeroporto no Santos Dumont caso as empresas ampliem as operações no equipamento esvaziado.

“Não vai adiantar nada, pois a redução do ICMS para o QAV na lei aprovada na assembleia, que está em vigor, é só para o Galeão e nunca foi para o Santos Dumont”, alegou Eduardo Paes. O secretário da Casa Civil endossa o argumento e chama de “balela” a ideia ventilada pela Secretaria de Aviação Civil.

O Rio de Janeiro vem insistindo na necessidade de redução do número de voos do Santos Dumont, que, hoje, tem sido usado até como local de embarque para viagens internacionais — com escalas em Guarulhos, por exemplo.

O problema

Os dois aeroportos mais importantes do Rio de Janeiro deveriam trabalhar juntos para ampliar a capacidade da cidade de receber voos. Contudo, essa não é a realidade atual do Galeão e do Santos Dumont.

Enquanto o maior deles, o Galeão, na Ilha do Governador, vem perdendo um número grande de passageiros a cada ano, o Aeroporto Santos Dumont, no centro, está operando no limite de sua capacidade e provocando atrasos e filas enormes.

Em 2014, no primeiro ano de administração privada do Galeão, o total de passageiros embarcando e desembarcando no aeroporto chegou a 17 milhões. Já em 2022, a empresa registrou a presença de 6 milhões de passageiros no aeroporto. Já o Santos Dumont, no ano passado, registrou mais de 10 milhões de passageiros.

Recentemente, a Infraero revisou a capacidade do Santos Dumont de 9,9 milhões de passageiros por ano para um contingente também anual de 15,3 milhões de pessoas. Aumentou, assim, o que já era considerado altíssimo pelas autoridades do Rio de Janeiro.

O secretário de Casa Civil rechaça o argumento de que o Galeão, na zona norte, é de difícil acesso, algo também ressaltado sempre pela prefeitura.

O Galeão fica a apenas 17 quilômetros do centro do Rio, mas parte da população o considera perigoso por precisar pegar a via expressa Linha Vermelha, na zona norte, para chegar até ele.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que trabalha junto com o ministério na busca de alternativas para o Galeão e o Santos Dumont.

REDAÇÃO OESTE

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