Segundo documento da Justiça
Federal, conversa de um dos investigados aponta a necessidade de prestação de
contas do dinheiro do financiamento para bolivianos
Documentos sigilosos da Polícia Federal,
obtidos pela Jovem Pan, apontam que operações de narcotráfico
provenientes da Bolívia foram as financiadoras da missão de atentando
contra o Senador
Sergio Moro. Áudios encontrados na conta ICloud utilizada pelo
investigado Claudinei Gomes Carias indicam a cobrança de prestação de contas
por uma ‘financeira da Bolivia’. A investigação da PF afirma que o material
mostra que “se a prestação de conta não for enviada no tempo certo, a
financeira da Bolivia que vai cobrar eles, ou seja, o dinheiro que é recebido
pelos investigados vem, naturalmente, do tráfico de drogas”, escreveram os
investigadores. O áudio foi enviado por um investigado identificado com o
codinome “MILCO”, que segundo a investigação seria o responsável por realizar
as cobranças de prestação de contas dos integrantes que realizam a maior parte
das atividades de campo. “Não sei qual que é a dificuldade, o dia inteiro, aí,
mano. O bagulho da engrenagem, aí, mano. Nós tá pedindo desde uns dias a
parada, não tá dando atenção, Boy. Fala pra ele que você vai jogar do jeito que
tá aí. Depois ele vai trocar umas ideia com os irmãos da financeira, lá da
Bolívia, lá, Boy. Não vai ser comigo, não. Entendeu? Maior falta de
responsabilidade, do caralho. Preciso dessa parada, aí, filho”, diz o áudio. Na
conta de um dos investigados, também aparece o contato de um número boliviano
salvo como “Richard⌚dod”. Segundo a Polícia
Federal, há indícios
de que dono do telefone faça parte do
grupo “05 novo” de
integrantes da célula da restrita 05 do PCC.
Em outro áudio, ligações com a
Bolíva são citadas novamente. “E a fita é a seguinte, Boy. O Fala, na hora que
ele pular em você, fala pra ele, já não é comigo mais, não. Vou chutar seu
número pros irmãos da Bolívia, lá, que os irmãos pediram, entendeu? E já era.
Porque eu fiquei, aqui, me humilhando pra você ontem e você não veio”, diz um
dos investigados. A missão tinha como objetivo o resgate do líder da
organização criminosa Primeiro
Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido
como Marcola. O ex-ministro e ex-juiz da Lava Jato entrou na mira da
organização criminosa ao transferir diversas lideranças para presídios de
segurança máxima, como ocorreu com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O
narcotraficante foi levado para Brasília e depois, com a descoberta de um
plano de fuga, acabou transferido novamente para Porto Velho, retornando para a
capital no início deste ano por determinação do atual ministro da Justiça e da
Segurança Pública, Flávio Dino. A investigação da PF aponta que a operação foi
financiada com o dinheiro no tráfico de drogas proveniente da Bolívia.
“Não há dúvidas da aplicação dos
valores oriundos do tráfico de drogas e da associação para o tráfico de drogas
de JANEFERSON [Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo] para o financiamento
das atividades criminosas na cidade de Curitiba/PR, sendo que o patrimônio
identificado em nome de terceiros é parte vital das ações policiais para a
completa desarticulação dos crimes em apuração, notadamente porque com a prisão
dos líderes, esse patrimônio é novamente absorvido pela ORCRIM [organização
criminosa] para continuar a prática dos mesmos delitos. A prova disso está na
anotação sobre os “cofres” onde se citam claramente NADIM e TOBE, ambos mortos
pelo PCC e naturalmente as armas sob a responsabilidade deles foram deslocadas
para continuar com a mesma missão anterior, qual seja, o ataque a autoridades
públicas. No caso concreto, tanto o resgate de MARCOS WILLIAN, vulgo MARCOLA
quanto o sequestro (e morte) do Senador Sergio Moro”, diz o documento.
Por Jovem Pan

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