Em entrevista, presidente também
afirmou que ministro das Comunicações, Juscelino Filho, não poderá continuar no
governo se não conseguir provar inocência em caso de uso de avião da FAB para
ir a leilão de cavalos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
criticou nesta quinta-feira, 2, o total de dividendos a serem distribuídos
pela Petrobras.
A estatal petroleira vai repassar R$ 215,8 bilhões aos acionistas. O total,
mais do que o dobro do distribuído em 2021, é considerado “inacreditável” por
Lula, que defende o papel social da empresa e a necessidade de investimentos a
longo prazo no país. Na visão de Lula, é preciso pesquisar biodiesel, etanol de
segunda geração, hidrogênio verde e outras fontes de energia, com foco na
“soberania energética do país”. “A Petrobras é patrimônio desse país, não
apenas das pessoas acionistas. O governo é o principal acionista, tem que ter
poder de tomar decisão. A Petrobras não é empresa para vender seus ativos como
está vendendo”, opinou o presidente, em entrevista ao jornalista Reinaldo
Azevedo, da BandNews. Ao ser questionado se as declarações não
poderiam causar reflexos nas ações da estatal e respingar no mercado, Lula
assegurou que não fala em intervenção na Petrobras, mas defende os interesses
da nação. “Temos que pensar na Petrobras enquanto indústria de interesse
estratégicos, não queremos prejuízos, mas tem que fazer investimentos. A gente
não descobriu o Pré-Sal porque alguém passou olhando e viu, foi muita pesquisa.
Poderia ter dado metade de dividendos e metade de investimento”, acrescentou.
Outro tema comentado por Lula foi
a atual taxa de juros do Brasil, fixada em 13,75% pelo Comitê de Política
Monetária do Banco Central, o Copom. Em
suas falas, Lula voltou a criticar o presidente da instituição, Roberto Campos Neto,
e defendeu responsabilidade com a população. Segundo o chefe do Executivo,
Campos Neto e o BC devem responder à sociedade: “Qual a explicação de ter juros
de 13,75%?”. “Por que esse cidadão, que não foi eleito para nada, acha que tem
o poder de decidir as coisas e ainda dizer ‘eu vou pensar como posso ajudar o
Brasil’?. Não tem que pensar como ajudar o Brasil, tem que pensar como reduzir
a taxa de juros para que a economia volte a funcionar. Não é bravata minha
porque não tenho interesse de brigar, esse país não posse ser refém de único
homem”, afirmou o mandatário, apontando casos de juros negativos em outros
países, em razão do baixo crescimento da economia. “Quero que ele entenda que
tem que se explicar ao povo brasileiro”, completou.
As declarações marcam um novo
capítulo de troca de farpas entre o presidente do BC e o chefe do Executivo.
Anteriormente, como a Jovem Pan mostrou, Lula já havia criticado Roberto Campos
Neto e afirmado que a alta da Selic é “uma vergonha”. “É só ver a carta do
Comitê de Política Monetária (Copom) para a gente saber que é uma vergonha esse
aumento de juros e a explicação que eles deram para a sociedade brasileira”,
disse em cerimônia de posse de Aloizio Mercadante como
presidente do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na
ocasião, o mandatário fez um um
paralelo com a época em que o Banco Central não era independente e reforçou o
pedido para que empresários se unissem contra a alta dos juros. “No meu
tempo, 10% eram muito, hoje, 13,5% é pouco. Se a classe empresarial não se
manifestar, se as pessoas acharem que vocês estão felizes com 13,5%,
sinceramente, eles não vão baixar juros, e nós precisamos ter noção”, afirmou.
Em seguida, Campos
Neto afirmou que a autonomia do órgão potencializa a eficiência da política
monetária e, assim, reduz o custo da alta de juros para a população.
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Crise nos ministérios
Entre outros temas comentados por
Lula, a possível “crise” com ministros foi um destaque. Ao falar sobre a
polêmica envolvendo o Juscelino
Filho (União Brasil), o presidente disse que se o ministro não
“conseguir provar sua inocência, não poderá continuar” no cargo. A fala
acontece após o membro do governo ser acusado de usar serviços de transporte
da Força Aérea Brasileira (FAB)
e diárias, pagas com orçamento público, para compromissos pessoais em São
Paulo, incluindo a participação de leilões de cavalos. “[Juscelino] tem direito
de provar sua inocência. Mas se não conseguir provar, não pode continuar no
governo. Eu reservo a todo mundo a presunção de inocência”, disse. Como
a Jovem Pan mostrou, os supostos usos indevidos das estruturas de governo
foram desmentidos pelo Ministério das Comunicações nesta quinta, 2, mas o
ministro devolveu os valores das diárias pagas. Em nota, a pasta afirma que
Juscelino cumpriu agenda oficial de dois dias e, após os compromissos, o
ministro usufruiu “de atividades de foro particular”. A pasta alega que
pagamento de 4,5 diárias – o que inclui períodos fora da agenda oficial do
ministro – foi um erro de sistema. “Houve, portanto, um equívoco que já foi
corrigido”, alega a pasta que também instaurou uma apuração interna para
verificar outras eventuais falhas “sistêmicas ou humanas e o procedimento
administrativo mais apropriado para que isso não se repita”.
Por Jovem Pan

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