Em discurso após ser eleito presidente do TSE, ministro também fez aceno às Forças Armadas e elogiou a eficiência do sistema eleitoral brasileiro
Eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Alexandre de Moraes afirmou, na noite desta terça-feira, 14, que a Justiça Eleitoral “não tolerará que milícias digitais e pessoais desrespeitem a vontade soberana do povo”. O magistrado também disse que, em um momento em que o desemprego atinge mais de 11 milhões de pessoas e mais de 33 milhões passam fome, os eleitores “merecem esperança nas propostas e projetos sérios de todos candidatos”. “Não merecem a proliferação de discursos de ódios, de notícias fraudulentas e da criminosa tentativa de cooptação, por coação e medo, de seus votos por verdadeiras milícias digitais”, seguiu.
“Nesse momento de reconstrução
espiritual e econômica do Brasil, após a morte de mais de 668 mil pais, mães,
avós, filhos, filhas, amigos, maridos, mulheres pela terrível pandemia causada
pela Covid-19 e suas nefastas consequências para mais de 11 milhões de pessoas
desempregadas e com a fome atingindo mais de 33 milhões de brasileiras e brasileiros,
nossos eleitores merecem esperança nas propostas e projetos sérios de todos os
candidatos. Nossos eleitores não merecem a proliferação de discursos de ódio,
de notícias fraudulentas e da criminosa tentativa de cooptação, por coação e
medo, de seus votos por verdadeiras milícias digitais”, disse. “A Justiça
Eleitoral não tolerará que milícias pessoais ou digitais desrespeitem a vontade
soberana do povo e atentem contra a democracia no Brasil”, acrescentou.
Na sequência, Moraes fez um aceno
às Forças Armadas, classificada pelo ministro como uma “instituição séria,
competente e parceria histórica do Judiciário no auxílio da realização e
segurança das eleições nos mais longínquos rincões do Brasil”. A declaração
ocorre na esteira do embate entre o Ministério da Defesa e a cúpula do TSE.
Nesta semana, a pasta disse que as Forças “não se sentem devidamente
prestigiadas” nas discussões sobre o processo eleitoral. O ministro Edson
Fachin, que preside a Corte até agosto, respondeu que tem “elevada consideração”
pelos militares.
As declarações de Moraes, que
tomará posse como presidente do TSE no dia 16 de agosto, ocorrem no momento em
que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem feito ataques às urnas eletrônicas e
ao sistema de votação do país. Em uma breve manifestação após ter sido eleito
para o comando da Corte Eleitoral, Moraes disse que, desde a Constituição
Federal de 1988, “a nação foi chamada oito vezes para escolher seu chefe de
Estado e de governo, além das eleições locais”. O ministro também lembrou que,
desde 1998, quatro dos presidentes e vice-presidentes eleitos foram escolhidos
através das urnas eletrônicas.
“Somos 150 milhões de eleitores
que sempre nos orgulhamos de ser uma das quatro maiores democracias do mundo,
ao lado dos Estados Unidos, da Índia e Indonésia. Porém, [somos] a única
democracia do mundo cujos resultados eleitorais são proclamados no mesmo dia
das eleições, horas após o término do pleito eleitoral, com absoluta clareza,
transparência, segurança e absoluto respeito à soberania popular. E é
exatamente isso o que os brasileiros e brasileiras merecem em 2022 da Justiça
Eleitoral, de todos os Poderes e instituições do país: eficiência, segurança,
transparência e respeito à soberana vontade popular, valor estruturante
essencial e imprescindível na construção e fortalecimento de uma democracia
estável, justa, igualitária e solidária, que é a democracia que todos nós
queremos para o nosso país”, seguiu Moraes.
Por Jovem Pan

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