Carnaval e flexibilização no uso de máscara não alteraram tendência
O secretário de estado de
Saúde do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe, avaliou hoje (23) em entrevista a
veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que as
aglomerações de carnaval, no fim do mês passado e início deste mês, e a
flexibilização do uso de máscaras em locais fechados em diversos municípios
fluminenses, há cerca de 15 dias, não alteraram a tendência de queda da
covid-19 no estado.![]()
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"A gente avalia os
indicadores, e não houve absolutamente nenhum aumento no número de novos casos.
A tendência se mantém de queda desde o fim da curva de transmissão da
Ômicron", disse o secretário à Agência Brasil e à Rádio Nacional do Rio de
Janeiro. "A decisão [de pôr fim à obrigatoriedade do uso de máscaras em
locais fechados] foi tomada, inclusive, baseada no cenário internacional. Como
não há nenhuma outra variante de preocupação circulando no mundo e a nossa
população está muito vacinada, a tendência é de que a gente continue em
patamares muito baixos de transmissão".
O secretário Alexandre Chieppe
esteve na sede da EBC no Rio de Janeiro para participar do
telejornal Repórter Rio, da TV Brasil, quando também avaliou, de
forma positiva, o cenário atual. "É importante ter clareza de que a taxa
de transmissão hoje, no estado do Rio de Janeiro, é muito baixa. A positividade
dos exames que, no pico da Ômicron, chegou a quase 70%, hoje está inferior a
3%, e com tendência de queda. A definição sobre a retirada das máscaras foi
feita com muita segurança com base nesses indicadores", argumentou.
Endemia
Mesmo assim, o secretário avaliou
que é preciso ter cautela em considerar que a situação atual já é de endemia,
quando a covid-19 passará a ser considerada uma doença presente no cotidiano,
como a gripe.
"Quando a gente fala de
pandemia, a gente fala de uma alta transmissão global. É muito difícil a gente
afirmar que a gente está em uma endemia quando a gente ainda tem altas
transmissões em outros países, que podem gerar novas variantes que podem ser
uma ameaça no futuro. A gente tem que aguardar", disse o secretário ao
telejornal.
"Hoje, os nossos níveis de
transmissão são muito baixos, mas não quer dizer ainda que a gente vive um
cenário endêmico, porque é possível que a gente tenha um aumento do número de
casos, seja por causa da queda da imunidade, seja por causa do aparecimento de
uma nova variante", disse.
A avaliação contrasta com a
manifestada pelo secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, também em entrevista a veículos da EBC,
no dia 11. Soranz disse à TV Brasil que a
"pandemia já virou uma endemia", e reforçou à Agência Brasil e
à Rádio Nacional que "a gente já pode considerar a
pandemia de covid-19 como uma endemia, uma doença que vai estar presente ao
longo do tempo".
À Agência Brasil e
à Rádio Nacional, o secretário estadual de Saúde, Alexandre
Chieppe, explicou que, se, por um lado, considera que o fim da pandemia depende
da vacinação ser mais ampla em todo o mundo, por outro já vê os indicadores da
pandemia no Rio de Janeiro em níveis endêmicos.
"Os números são números
endêmicos, o que não quer dizer que não haja risco de uma nova onda, caso
apareça uma nova variante internacional. Então, não é uma discordância [em
relação ao secretário municipal], talvez seja a forma como é colocado",
ponderou.
Quarta dose
O secretário estadual de Saúde vê
como ponto importante no futuro do combate à pandemia a definição sobre como
será a continuidade da vacinação contra a covid-19 após a primeira dose de
reforço. A recomendação de uma quarta dose já começou em idosos de idade mais
avançada e imunossuprimidos em diversos locais do país, como São Paulo, e já há
países que a aplicam na população em geral.
"A gente está vendo, agora,
uma queda da proteção da vacinação das pessoas que estão recebendo a terceira
dose. Isso já aponta para uma possível incorporação de uma quarta dose nesse
esquema vacinal. Acredito que deve acontecer em breve, principalmente para as
pessoas com mais de 60 anos de idade e, a partir daí, a gente deve ter que
conviver como a gente convive com o vírus da gripe, com vacinas anuais já
preparadas para as variantes que estão circulando mais no mundo. A tendência é
que isso aconteça", disse o secretário.
Até a adoção da quarta dose,
Chieppe reforça que é necessário que a população complete seus esquemas
vacinais, com a segunda dose, quando necessária, e dose de reforço. Para ajudar
a ampliar a vacinação, ele defende que unidades Básica de Saúde (UBS) e equipes
de Saúde da Família visitem pessoas que não se vacinaram ou estão com vacinas
em atraso, para reforçar a recomendação da vacinação.
"Fizemos isso com a febre
amarela e tivemos sucesso", lembrou. Ele considera a cobertura vacinal do
estado como um todo elevada, mas reconhece a existência de desigualdades.
"Temos alguns municípios do interior com uma cobertura baixa e municípios
da região metropolitana, como a capital e Niterói, com a cobertura um pouco
mais elevada. Agora a gente precisa melhorar e homogeneizar um pouco mais essa
cobertura, sob risco de termos surtos localizados em locais com baixa
cobertura", defendeu.
Dengue
Outra preocupação da Secretaria
de Estado de Saúde é a possibilidade de um surto de dengue no estado no fim
deste ano e no ano que vem. A pasta fez um alerta nesta semana sobre a importância de
prevenir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, já que o estado
registrou um aumento de 11% no número de casos de dengue nos primeiros meses
deste ano.
"Há uma preocupação muito
grande hoje. Nós identificamos no Rio de Janeiro a reintrodução do vírus tipo
dois da dengue. Quem viveu a epidemia de 2008 sabe o quanto esse vírus é
agressivo. Foi a epidemia com o maior número de óbitos da nossa história, e
agora esse vírus volta a circular. É por isso que, agora, ao longo deste ano, é
importante que a gente redobre nossas ações, principalmente nas nossas
casas".
Agência Brasil - Rio de
Janeiro

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