Ao STF, Graciela Nienov não
explicita quais seriam essas medidas; em tese, pedido poderia levar a uma nova
prisão de Jefferson
A guerra declarada entre o
ex-deputado Roberto Jefferson e a atual presidente nacional do PTB, Graciela Nienov,
ganhou um novo capítulo. Em petição apresentada ao ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira 4, Graciela pede o
endurecimento das medidas determinadas pelo magistrado contra Jefferson.
O ex-presidente do PTB está em prisão domiciliar, concedida por Moraes em janeiro.
No documento encaminhado ao STF, a advogada de Graciela, Isabelle de Sousa
Duarte, fala na necessidade de “reforço nas medidas protetivas do investigado”,
mas não explicita quais seriam essas medidas. Em tese, o pedido poderia levar a
uma nova prisão de Jefferson.
No documento, Graciela acusa
Jefferson de desrespeitar as medidas impostas por Moraes e pede a anulação de
todos os atos praticados pelo ex-deputado a partir do dia 29 de janeiro — como
a convocação de novas eleições para o comando do PTB.
No fim de janeiro,
Jefferson afirmou que foi “traído” por Graciela e disse que a
dirigente estava afastada da presidência da legenda.
O comunicado de Jefferson veio
após o vazamento de áudios de um grupo de WhatsApp que indicariam um complô de
parte da cúpula petebista contra ele, segundo aliados do ex-deputado.
“A Graciela me pediu demissão. Eu aceitei,
pois, após os áudios do grupo, ela perdeu qualquer condição moral ou política
para continuar à frente da presidência”, informa trecho da carta de Jefferson.
“Ela me desqualificou, me traiu e quis apagar o meu legado.”
Na petição a Moraes, Graciela
acusa o ex-presidente do PTB de divulgar fake news sobre ela.
“Seja pela carta assinada por
Roberto Jefferson, seja pela dissolução sumária de comissões provisórias
instituídas em conformidade com o estatuto do PTB, seja pelas mensagens em
aplicativo de conversas contendo, por interpostas pessoas, direcionamentos a
correligionários, o ex-presidente do PTB vem, reiteradamente, descumprindo as
decisões de Vossa Excelência, nas quais objetivava fazer cessar os atos
antidemocráticos do ex-presidente do PTB, que se utilizava da estrutura
partidária para atingir seus objetivos”, diz o documento.
“Os atos praticados a partir do
dia 29/1/2022 pela mentoria de Roberto Jefferson, que está sob a tutela do
Estado, e seus apoiadores devem ser considerados nulos, especialmente a
convenção convocada para a realização de novas eleições partidárias, devendo,
portanto, avaliar sobre a possibilidade de reforço nas medidas protetivas do
investigado, buscando evitar outros atos criminosos e desestabilização
político-partidária”, afirma.
A defesa de Graciela Nienov diz
ainda esperar que Moraes “tome as devidas providências de forma a fazer cumprir
as decisões anteriormente proferidas, resguardando o legítimo funcionamento do
partido, considerando, em especial, que estamos em ano eleitoral e tais atos
prejudicam o processo democrático”.
Roberto Jefferson é alvo de um
inquérito do STF que apura supostos atos antidemocráticos. O ex-deputado teve a prisão convertida em
domiciliar em 24 de janeiro por problemas de saúde.
Jefferson foi preso, por ordem de
Moraes, em agosto do ano passado. Em outubro, diante de outros problemas de
saúde, o ex-parlamentar chegou a ser internado no Hospital Samaritano da Barra
da Tijuca, no Rio de Janeiro, mas acabou voltando para o presídio.
Moraes já havia determinado o
afastamento de Jefferson da presidência do PTB, posto que ocupava antes de ser
preso.

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