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| O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson © Jonathan Buckmaster |
Pedindo aos britânicos que
"aprendam a viver" com o coronavírus e sejam cautelosos, o
primeiro-ministro Boris Johnson apresentará nesta segunda-feira (5) seu plano
para desmantelar totalmente as restrições em duas semanas, incluindo uma
decisão polêmica de abandonar as máscaras.
"Graças ao
sucesso do nosso programa de vacinação, estamos progredindo com cautela em
nosso roteiro", disse Johnson, antes de uma entrevista coletiva marcada
para a tarde.
Seu anúncio diz
respeito, porém, apenas à Inglaterra. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte
decidem suas próprias políticas de saúde e optam por um desconfinamento mais
lento.
No
pronunciamento, Johnson avisará que, embora as vacinas estejam permitindo que
novas infecções não se traduzam em hospitalizações e em mortes em massa,
"a pandemia não acabou, e os casos continuarão a aumentar nas próximas
semanas".
No país, 86%
dos maiores de 18 anos já receberam a primeira dose da vacina contra a
covid-19, e quase 64%, o regime completo de duas injeções.
Assim, a
mensagem do primeiro-ministro é de liberdade, mas também de prudência.
"À medida
que começamos a aprender a conviver com este vírus, devemos todos continuar a
administrar cuidadosamente os riscos e a exercitar o bom senso", enfatizou
ele, em um comunicado divulgado por Downing Street.
- Futebol
e férias -
Um dos países
mais atingidos pela pandemia na Europa, com mais de 128 mil mortos, entre uma
população de 66 milhões, o Reino Unido impôs um confinamento rígido no início
de janeiro. A medida começou a ser suavizada gradualmente no final de março.
Aos poucos,
escolas, lojas não essenciais, cinemas, museus e restaurantes foram reabrindo.
Restava apenas
a reabertura de boates e outros locais de entretenimento noturno, grandes
eventos, como megashows, e o fim do teletrabalho.
Essa última
etapa estava programada para 21 de junho, mas a variante Delta do
coronavírus, identificada primeiro na Índia, atrapalhou os planos. Com
isso, Johnson adiou o desconfinamento total por quatro semanas, até 19 de
julho.
Entre 40% e 80%
mais contagiosa, a variante Delta é agora a dominante no Reino Unido, passando
de 2.000 infecções diárias para 25.000 em poucas semanas.
Após anunciar o
adiamento, Johnson prometeu uma revisão passadas duas semanas e, nesta
segunda-feira, parece determinado a acabar com todas as restrições.
O governo já
flexibilizou a proibição de grandes eventos para permitir que 60 mil torcedores
nas semifinais e na final da Eurocopa compareçam ao Estádio de Wembley de
Londres. Este número corresponde a dois terços de sua capacidade.
A primeira
semifinal, entre Espanha e Itália, é na terça-feira (6), e a seleção da
Inglaterra enfrenta a Dinamarca na quarta (7). O grande afluxo de público tem
despertado a preocupação de que possa surgir o que a imprensa chamou de
"variante da UEFA".
O Executivo
também deve estabelecer até o final desta semana um sistema para que britânicos
totalmente vacinados possam sair de férias para os países da lista
"âmbar", que inclui grande parte da Europa. Com isso, não teriam de
cumprir quarentena na volta para casa.
Antes de
Johnson, o novo ministro da Saúde, Sajid Javid, nomeado há uma semana e muito
mais favorável à reabertura do que seu antecessor Matt Hancock, falará aos
deputados.
O governo deu a
entender que planeja abolir o uso obrigatório de máscara em espaços públicos
fechados, uma abordagem criticada por vários especialistas.
Assim, Stephen
Reicher, professor de Psicologia Social da Universidade de Saint Andrews,
considerou "terrível ter um ministro da 'saúde' que deseja tornar todas as
proteções uma questão de escolha pessoal, quando a mensagem principal da
pandemia não é uma pergunta sobre 'mim', mas sobre 'nós'. Seu comportamento
afeta minha saúde".
Para a
psicóloga Susan Michie, especialista na área de Comportamento da University
College London, a escolha de deixar as infecções aumentarem equivale a
"construir novas 'fábricas de variantes' em ritmo altíssimo".
Neste fim de
semana, a associação médica britânica pediu ao governo que mantenha algumas
restrições, devido ao aumento "alarmante" de casos.
AFP
bur-acc/me/mr/tt

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