
Estrutura de hospitais com leitos de UTI e enfermaria para
o tratamento da Covid-19. Foto: CNN Brasil
Profissionais
de saúde relatam aumentos de até 400% nos preços dos sedativos
A alta demanda
por tratamento contra o novo coronavírus no Rio de Janeiro faz com
que hospitais públicos e privados do estado comecem a registrar escassez de medicamentos
frequentemente utilizados em pacientes com Covid-19. O problema ocorre em
pelo menos quatro municípios, que relataram a situação ao governo do estado por
meio de suas secretarias municipais de Saúde.
A situação,
confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde, ocorre em Duque de Caxias, na
Baixada Fluminense, Paracambi, na Região Metropolitana, em Nova Friburgo, na
Região Serrana, e Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Os fármacos fazem
parte do chamado "kit intubação”, composto por três classes de
medicamentos: analgésicos, hipnóticos e bloqueadores neuromusculares. Em
algumas localidades, já há estoques zerados.
Em Duque de
Caxias, os últimos dias têm sido de escassez de sedativos. O Hospital Municipal
São José é o que apresenta a pior situação na cidade. Procurada, a prefeitura
admitiu que a unidade sofre com a falta de medicamentos após o aumento da
demanda de pacientes com Covid-19 e respondeu, por meio de nota, que “vem
trabalhando junto a direção de todas as unidades da rede municipal dedicadas ao
enfrentamento e atendimento de pacientes de Covid-19, no sentido de garantir o
atendimento e o abastecimento das mesmas”.
O mesmo
acontece em Paracambi. O município admitiu ter pedido ajuda ao governo do
estado e espera a entrega dos insumos, principalmente para abastecer o Hospital
Municipal Doutor Adalberto da Graça. Procurada, a prefeitura respondeu que a
rede é de baixa e média complexidade, mas que abriu mais leitos com recursos
próprios desde o início da pandemia de Covid-19. Por meio de nota, destacou
ainda que “a falta de insumos para intubação é um problema que afeta todo o
país, mas o município conta com materiais em estoque e está buscando solução
para aquisição de novas remessas”. O posicionamento informou também que,
neste momento, não há pacientes intubados na rede municipal.
Em Nova
Friburgo, segundo o documento enviado pela Secretaria Municipal de Saúde ao
estado, não são apenas remédios que estão em falta na rede. Há ainda carência
de profissionais de saúde, como médicos, além de camas hospitalares, colchões,
insumos e equipamentos de proteção individual ao governo estadual. Procurada, a
pasta admitiu ter solicitado 54 itens, 13 tipos de insumos e 41 de
medicamentos, e explicou que o Hospital Municipal Raul Sertã está em colapso.
Ele atende, além de Nova Friburgo, 13 cidades vizinhas, segundo o município.
No entanto,
apesar do agravamento da situação dos hospitais desses municípios, o estado
registrou nesta terça-feira (13) a menor fila de espera por um leito de
Covid-19 dos últimos 25 dias, de acordo com dados disponíveis no Painel
Coronavírus Covid-19, da Secretaria de Estado de Saúde. No momento, 399 pessoas
aguardam por uma vaga em hospital, sendo que 350 delas precisam de um leito de
UTI.
Procurada, a
prefeitura de Campos dos Goytacazes não respondeu aos contatos feitos até o
momento. A Secretaria de Estado de Saúde informou que busca alternativas
viáveis para resolver o desabastecimento das unidades de saúde. Por meio de
nota, informou ter entregue na última sexta-feira (9) medicamentos para 74
unidades de saúde, e que aderiu a uma ata do Ministério da Saúde para aquisição
de medicamentos, que está em andamento um processo de compra para suprir as
necessidades do estado pelos próximos três meses.
Hospitais
particulares no estado
Na rede
privada, profissionais também relataram a escassez de medicamentos para intubar
pacientes com coronavírus. E denunciaram o aumento de preço para a aquisição de
medicamentos necessários para o"kit intubação".
Para o médico
Graccho Alvim, diretor da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro
(Aherj), a situação é crítica e o aumento nos preços dos remédios atrapalha
ainda mais a luta contra a doença. “Tem medicamentos com aumento registrado de
400%, um deles é a heparina, que atua impedindo a formação de coágulos
sanguíneos”, explicou.
Atualmente, a
taxa de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva no Rio é de
aproximadamente 90% nos hospitais particulares.
Stéfano
Salles e Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
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