
Operações da PF tiveram início em abril de 2020, no interior
da Paraíba. AMANDA PEROBELLI/REUTERS
Foram
realizadas 76 operações, com 1.1160 mandados de busca e apreensão, 12 prisões
preventivas e 135 prisões temporárias
Após cerca de um ano desde o início da pandemia de covid-19, a Polícia Federal já realizou 76 operações no Brasil investigando contratos suspeitos de desvios em estados e municípios para enfrentar a doença, que totalizam R$ 2.172.642.108. A informação é de um levantamento da própria PF, com dados das ações realizadas de abril de 2020 até o dia 26 de março de 2021.
No total, as
investigações levaram a 1.1160 mandados de busca e apreensão, 12 prisões
preventivas, 135 prisões temporárias contra os suspeitos.
As ações
policiais, contudo, podem ser deflagradas em um estado, mas se estendem a
outras cidades que não pertencem à unidade, o que pode colocar vários
municípios, de outras regiões, em uma mesma operação.
A partir da
semana que vem, além da atuação do governo federal no combate à pandemia, a CPI
da Covid no Senado também vai investigar a destinação de verbas federais a
estados e municípios na área da saúde.
Entre os
estados que mais registraram as operações, estão o Rio de Janeiro (6), Amapá
(5), Pernambuco (5), Maranhão (5) e São Paulo (5). Destes, o que têm mais
valores sob investigação é o Rio de Janeiro: R$ 850.200.000. Não registraram
ocorrências os estados do Rio Grande do Norte e do Mato Grosso, além do
Distrito Federal.
Além de
estados, as operações da PF investigaram diversas compras de municípios. A
primeira destas foi a que deu início à série de investigações, deflagrada em
abril de 2020, época em que o Brasil ainda não passava de 500 mortes diárias
pela covid-19.
Naquele mês, a
operação Alquimia realizou mandados de busca e apreensão envolvendo a
prefeitura de Aroeiras, no interior da Paraíba, depois de uma investigação
nacional que envolveu 12 estados.
Poucos dias
depois, foi a vez do estado do Amapá entrar na investigações, após suspeita de
superfaturamento na aquisição de insumos pela Secretaria de Saúde para
prevenção e combate à pandemia.
As operações
dos meses seguintes também envolveram dinheiro encontrado na cueca de um
senador, a maior cidade do país, hospitais de campanha e o estado
de Amazonas, que seria o primeiro a colapsar após explosão de casos e
mortes por covid-19.
A última no
período levantado, deflagrada no final de março, foi a que envolveu o escândalo
de suposta vacinação de empresários com as doses da Pfizer em Belo Horizonte
(MG). Por enquanto, a corporação investiga se a falsa enfermeira que participou
do caso realmente
aplicou vacinas reais contra a covid-19 nos envolvidos e não doses
de soro fisiológico.
Compra de
respiradores no Amazonas
O Amazonas foi
palco da operação Operação Sangria, instalada para investigar uma suposta
organização criminosa dentro do governo estadual que teria realizado compra no
valor de R$ 2,9 milhões de 28 respiradores, que vieram de uma loja de vinhos. A
operação ainda se desdobrou em outras três fases, sendo a última deflagrada em
novembro de 2020.
O governador
do estado, Wilson Lima, foi um dos alvos de busca e apreensão,
além de outras 14 pessoas ligadas a ele. Na época, o governador alegou
inocência e disse ser um dos "mais interessados" que os fatos sejam
esclarecidos.
Por causa do
escândalo, Lima foi
alvo de um pedido de impeachment, que acabou sendo arquivado. A
secretária de Saúde, Simone Papais, chegou a ser presa ao lado de outras seis
pessoas nessa primeira fase da operação Sangria.
Em posicionamento
enviado ao R7, o governo do Amazonas defendeu o compromisso com a
transparência de suas compras e disse que segue "mantendo-se à disposição
para continuar prestando todas as informações solicitadas pela Justiça, órgãos
de fiscalização e controle, como ocorreu a época".
Gabriel Croquer, do R7
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