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| © ERIC PIERMONT Carlos Ghosn em 6 de outubro de 2017 em Paris |
A polícia fez
uma operação nesta quinta-feira na residência de Carlos Ghosn em Tóquio, ao
mesmo tempo que as autoridades turcas anunciaram a detenção de várias pessoas
na tentativa de elucidar as circunstâncias da fuga para o Líbano, via Istambul,
do ex-magnata do setor automobilístico.
Canais de TV
japoneses exibiram nesta quinta-feira imagens de policiais entrando na casa de
Tóquio na qual o ex-CEO da aliança Renault-Nissan estava em prisão domiciliar.
De acordo com a
agência de notícias DHA, a polícia turca prendeu sete pessoas, incluindo quatro
pilotos, sob suspeita de auxiliar Ghosn a viajar ao Líbano a partir de um
aeroporto de Istambul, onde ele chegou em um voo procedente do Japão.
Ghosn
desembarcou na segunda-feira em Beirute, onde publicou um comunicado à
imprensa. Sua equipe de comunicação confirmou à AFP que ele concederá uma
entrevista coletiva nos próximos dias.
O executivo foi
detido em Tóquio em novembro de 2018, acusado de fraude financeira, e deveria
ser julgado no Japão a partir de abril de 2020. Depois de passar 130 dias na
prisão, ele estava em detenção domiciliar.
O homem que
chegou a ser o CEO mais bem pago do Japão enfrenta quatro acusações neste país:
duas por renda diferida não declarada pela Nissan às autoridades da Bolsa e
duas por abuso de confiança com agravante.
As
circunstâncias de sua fuga, no entanto, permanecem muito confusas.
De acordo com
fontes da investigação citadas pela imprensa japonesa, o Ministério Público de
Tóquio está examinando as imagens das câmeras de segurança na entrada de sua
residência e no bairro em que morava.
O governo da
França indicou que Ghosn, que tem três nacionalidades (francesa, brasileira e
libanesa), não será extraditado se entrar em território francês porque o país
nunca extradita seus cidadãos. A afirmação foi feita pela secretária de Estado
de Economia, Agnès Pannier-Runacher, ao canal BFMTV.
Além disso, uma
fonte próxima ao caso confirmou nesta quinta-feira que Ghosn tinha dois
passaportes franceses e um dos documentos estava com ele.
A fonte entrevistada
pela AFP indicou que os advogados do executivo mantinham três passaportes de
Ghosn (francês, libanês e brasileiro) guardados em um cofre.
Mas o
empresário recebeu uma autorização excepcional de um tribunal para carregar um
segundo passaporte francês, que levava dentro de uma espécie de estojo, que
tinha um código secreto guardado por seus advogados.
Ghosn estava
proibido de viajar ao exterior, mas se deslocava com relativa liberdade dentro
do Japão, onde podia sair da capital com algumas restrições, um sistema
aplicado a outros estrangeiros em prisão provisória.
Na
eventualidade de um controle policial, ele precisava entrar em contato com o
advogado que tinha o código para que este comparecesse ao local em que o
executivo estivesse (o código não poderia ser comunicado por telefone à
polícia), informou a mesma fonte.
Ghosn, no
entanto, não teria utilizado este passaporte para fugir do país, e sim um
"meio ilegal", informou o canal NHK, que também citou fontes próximas
à investigação.
De acordo com a
presidência libanesa, Ghosn entrou no país procedente da Turquia com um
passaporte francês e um documento de identidade libanês.
Há suspeitas de
que Ghosn teria utilizado um jato privado que decolou do aeroporto de Kansai,
na região oeste do Japão.
Um avião deste
tipo decolou em 29 de dezembro às 23H00 (horário do Japão) do aeroporto,
administrado pelo grupo francês Vinci e o japonês Orix, com destino a Istambul,
segundo a imprensa nipônica.
A fuga de Ghosn
provocou grande consternação no Japão e seus advogados consideraram a atitude
"indesculpável", embora tenham afirmado entender as razões de seu
descontentamento com a justiça japonesa.
Após sua
detenção, Ghosn foi demitido como presidente da Nissan e da Mitsubishi Motors.
Em seguida renunciou à presidência da Renault, antes mesmo de outras
investigações contra ele na França.
AFP

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