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picture-alliance/AP Photo/F. Seco Novo Parlamento
Europeu toma
posse em julho
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As
eleições mais disputadas para o Parlamento Europeu em décadas chegaram ao fim
neste domingo (26/05) com a direita eurocética e anti-imigração e os
ambientalistas ganhando espaço sobre partidos tradicionais que costumavam
formar o centro político do bloco.
Ao longo de
quatro dias de votação, eleitores foram às urnas nos 28 países da União
Europeia (UE), numa participação estimada em 51% – excluídos aqui os eleitores
do Reino Unido –, a mais alta dos últimos 20 anos. Ao todo, 426 milhões de
pessoas foram convocadas a votar.
As eleições
deste ano foram vistas como um teste da influência dos movimentos
nacionalistas, populistas e de extrema direita, que ganharam força no
continente nos últimos anos e influenciaram decisões importantes como a saída
do Reino Unido da União Europeia.
O pleito ainda
opôs, de um lado, os defensores de uma UE mais unida e, de outro, aqueles que
consideram o bloco um corpo burocrático e intervencionista e defendem a
restrição da imigração e que o poder retorne para as mãos dos governos
nacionais.
Enquanto
partidos pró-UE ainda devem ficar com uma fatia significativa do Legislativo
sediado em Bruxelas e Estrasburgo – projeções apontam que eles ocupem cerca de
dois terços das 751 cadeiras –, seus adversários tiveram ganhos significativos.
Na
França, projeções indicam que o partido ultradireitista e
anti-imigração Reunião Nacional, de Marine Le Pen, despontou em primeiro lugar,
em surpreendente revés para a legenda centrista do presidente Emmanuel Macron,
que faz da integração da UE o mote de seu governo.
Derrotada por
Macron na última eleição francesa, Le Pen afirmou que o resultado
"confirma a nova divisão nacionalista e globalista" na França e em
outros lugares do mundo.
As projeções na Alemanha, o maior país da União Europeia,
também mostram quedas drásticas para o partido da chanceler federal, Angela
Merkel, e seu parceiro de coalizão de centro-esquerda, enquanto os verdes
cresceram consideravelmente – tornando-se o segundo maior partido –, e os
populistas de direita ganharam um pouco mais de força.
O ministro do
Interior e vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, figura importante
entre os nacionalistas linha-dura e anti-imigração, disse ter sentido "uma
mudança no ar" e adiantou que a vitória de seu partido – a ultradireitista
Liga, projetada para se tornar a principal força da Itália – "mudaria tudo
na Europa".
Para o alemão
Manfred Weber, candidato do Partido Popular Europeu (EPP), a maior bancada do
Parlamento Europeu, estas eleições foram marcadas pelo enfraquecimento do
centro político tradicional e, por isso, é "mais do que necessário que as
forças que acreditam nesta Europa, que querem levar esta Europa a um bom futuro
e que têm ambições para esta Europa" trabalhem unidas.
São muitos os
fatores que podem ter contribuído para essa mudança de ares no continente. A
Europa foi bastante afetada nos últimos anos pela crise migratória de países do
Oriente Médio e da África, além de ataques mortais perpetrados por extremistas
islâmicos.
Também viu
crescentes tensões em torno da desigualdade econômica e forte aversão ao
establishment político – sentimentos não muito diferentes dos que levaram à
eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.
O
primeiro-ministro cada vez mais autoritário da Hungria, Viktor Orbán, um
possível aliado do italiano Salvini, disse esperar que estas eleições tragam
uma mudança favorável a partidos políticos contrários à imigração. Para ele, o
tema será o responsável por "reorganizar o espectro político na União
Europeia".
Por outro lado,
os defensores de uma UE mais unida, liderados pelo francês Macron, argumentam
que questões como mudanças climáticas e imigração são muito amplas para
qualquer país resolver sozinho.
O presidente
francês, cujo país foi abalado nos últimos meses pelo movimento populista dos
coletes amarelos, descreveu as eleições deste ano como "as mais
importantes desde 1979, porque a União Europeia enfrenta um risco
existencial" por parte dos nacionalistas que buscam dividir o bloco.
A ascensão dos
populistas eurocéticos, contudo, não foi tendência em todos os países. O
Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema direita, deve ficar em
terceiro lugar no país depois de ser atingido por um escândalo de corrupção
durante a campanha – o que levou ao colapso da coalizão de governo e à renúncia
do vice-chanceler federal.
Na Holanda, o
Partido para a Liberdade (PVV), liderado pelo populista antieuro e antimigração
Geert Wilders, deve perder todos os seus assentos no Parlamento Europeu
enquanto as projeções apontam para uma vitória dos social-democratas.
Analistas
duvidam da capacidade dos populistas de formarem uma coalizão efetiva – como
almeja Salvini –, dadas as diferenças em questões-chave, como as relações com a
Rússia.
Os populistas
"alcançaram o mesmo tamanho de onda, talvez um pouco maior, do que em
2014, mas não há um tsunami", disse Sebastien Maillard, diretor do
instituto Jacques Delors. Ele prevê que os eurocéticos não serão capazes de
"perturbar a vida democrática" no próximo parlamento.
A ascensão dos
verdes
O resultado
destas eleições pode deixar as duas principais bancadas do Parlamento Europeu,
o EPP e os Socialistas & Democratas (S&D), sem maioria, abrindo caminho
para complicadas negociações para a formação de uma coalizão. Os verdes e os
liberais da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (Alde) devem se
tornar forças decisivas.
Projeções
apontam que os verdes ficarão com 71 assentos no Parlamento, ante os 52 obtidos
nas últimas eleições. A ascensão dos ambientalistas foi uma realidade não só na
Alemanha, mas em países como França, Irlanda e Áustria.
"A onda
verde realmente se espalhou por toda a Europa, e para nós esse é um resultado
fantástico", disse a eurodeputada alemã Ska Keller, do Partido Verde
Europeu. "É uma grande celebração, mas é também uma grande
responsabilidade. É uma grande tarefa colocar em ação aquilo que o povo nos
pede: proteção climática, justiça social na Europa e luta por liberdades civis
em todo lugar."
O resultado
favorável para os ambientalistas coincide com a onda de protestos de
adolescentes e estudantes na Alemanha e em outros países em prol de uma
política climática mais responsável.
A União
Europeia e seu Parlamento definem a política comercial do continente, regulam a
agricultura, supervisionam a aplicação da legislação antitruste e estabelecem a
política monetária de 19 dos 28 Estados-membros que adotam o euro.
Após sete
Estados-membros já terem realizado o pleito nos últimos dias, foi a vez de
eleitores dos demais 21 países integrantes da UE votarem neste domingo – entre
eles Alemanha, França, Itália, Espanha e Polônia. Juntos, esses cinco países
enviam quase metade dos eurodeputados para o Parlamento Europeu: 348 de 751.
O Reino Unido
foi às urnas na quinta-feira, participando das eleições mesmo em meio às
negociações para deixar o bloco. Assim que o Brexit acontecer e o país não for
mais membro da União Europeia, os eurodeputados britânicos eleitos perderão
seus cargos.
Com o fim das
eleições, os líderes europeus começarão a tarefa de selecionar os candidatos
para os cargos de liderança na sede da UE em Bruxelas. Autoridades do bloco
devem se reunir para uma cúpula na próxima terça-feira. Os mandatos dos atuais
eurodeputados terminam em 1º de julho, e os novos parlamentares tomam posse no
dia seguinte.
dw.com

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