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| Foto Fabio Grellet |
Milhares
de manifestantes foram às ruas de cidades brasileiras neste domingo, 26,
em apoio ao presidente Jair Bolsonaro e em defesa
de temas como a reforma da Previdência e o pacote anticrime do ministro da
Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. As mobilizações mais significativas
foram registradas em São Paulo e no Rio. A pauta dos atos foi
marcada também por ataques ao Congresso, personificados no presidente da Câmara
dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao Supremo Tribunal
Federal (STF). O atos foram classificados por Bolsonaro como espontâneos e
como um recado “para aqueles que, com suas velhas práticas, não deixam que o
povo se liberte”.
O Estado contabilizou,
até às 19h, registros de manifestações em todos os 26 Estados e o Distrito
Federal.
Um dos
principais nomes do Centrão, o líder do DEM, deputado Elmar Nascimento
(BA), defendeu o “diálogo” e o respeito às “opiniões divergentes” após
o Congresso ser um dos principais alvos de manifestantes nas ruas. Em nota,
Elmar mandou um recado aos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro: “Ninguém
governa sozinho”.
Convocada pelas
redes sociais, a manifestação na Avenida Paulista foi marcada por críticas aos
deputados do centrão e ao STF, discursos exaltados em defesa da reforma da
Previdência, da CPI ‘Lava Toga’ e exaltação ao pacote anticrime do ministro
Sérgio Moro.
O número de
manifestantes foi visivelmente menor que nas manifestações pelo impeachment de
Dilma Rousseff, mas a Polícia Militar não fez estimativas até o momento. O
maior foco de concentração de público foi no trecho entre a Rua Peixoto Gomide
e a FIESP. Os manifestantes se concentraram ao redor de sete carros de som
espalhados por oito quarteirões da Paulista, entre a Avenida Brigadeiro Luís
Antônio e a Rua Augusta.
Estacionado na
esquina da Avenida Paulista com Peixoto Gomide, o caminhão do Nas Ruas foi o
ponto de encontro dos políticos presentes (a maioria do PSL) e também o
principal foco de aglomeração de manifestantes. O grupo ocupou o espaço que nas
manifestações de 2014 foi do Movimento Brasil Livre e do Vem Pra Rua — as duas
organizações optaram por não apoiar o movimento em defesa de Jair Bolsonaro.
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| © Dida Sampaio/Estadão Vista aérea do Congresso Nacional na manhã deste domingo |
O Nas
Ruas levou um boneco inflável gigante do presidente e tocou o jingle de
campanha de Bolsonaro. Os parlamentares presentes minimizaram as palavras de
ordem mais radicais que pregavam o fechamento do Congresso e intervenção no
STF.
Polícia
estima 20 mil em Brasília
Em
Brasília, o ato começou por volta das 10h e, de acordo
com estimativa da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), 20 mil pessoas
estiveram na Esplanada dos Ministérios, que parecia vazia vista de cima. A
maior concentração se deu no gramado em frente ao Congresso.
Membros do
Legislativo, os parlamentares do chamado Centrão foram alvo de críticas na
manifestação, que defendeu a aprovação de pautas encampadas pelo Executivo,
como a reforma da Previdência e o pacote anticrime do ministro da Justiça e
Segurança Pública, Sergio Moro. "Centrão, fica aqui o aviso, se não tiver
a nova Previdência, o negócio vai feder", disse um dos manifestantes ao
microfone.
Dos trios, o
nome do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), foi citado
diversas vezes de forma negativa. Uma das faixas pedia #foraMaia e #foraSTF,
Corte que também foi alvo de insatisfação durante o ato. Um grupo de pessoas em
um dos trios elétricos se fantasiou de lagosta, em forma de protesto ao edital
do STF que prevê refeições com lagosta e vinhos com premiação internacional.
Outro assunto
bastante recorrente entre os manifestantes foi o pedido para que o Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (Coaf) fique nas mãos de Moro. O ministério
que irá coordenar as atividades do conselho será definido pelo Congresso, que
vota a reforma administrativa do governo Bolsonaro. A Câmara já votou para que
o Coaf fique com Ministério da Economia.
Bandeiras
diversas marcam manifestação em Copacabana
No Rio de
Janeiro, o público que participou do ato em apoio ao governo de Jair Bolsonaro se
distribui ao longo de 800 metros da avenida Atlântica, em Copacabana, zona sul
da cidade, entre as ruas Sousa Lima e Constante Ramos. Embora as duas pistas
tenham sido interditadas para o trânsito de carros, só foi ocupada a pista mais
perto da praia. A Polícia Militar não divulga estimativa de público, e, como
não há uma liderança única do ato, ninguém emitiu essa estimativa.
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© Dida
Sampaio/Estadão Vista aérea do Congresso
Nacional na
manhã deste domingo
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As bandeiras
defendidas pelas manifestantes foram diversas e foram além do mote oficial dos
atos de hoje, que eram a defesa da reforma da Previdência e do pacote anticrime
do ministro Sérgio Moro. O bacharel Márcio Ávila, de 38 anos, exigiu o fim do
exame nacional promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Já o militar
Marcelo Forte, de 51 anos, levou faixas a Copacabana cobrando a renovação da
frota de ônibus municipais de Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense.
Também houve,
no Rio, a presença de cartazes contrários a Rodrigo Maia e ao Supremo. Outros
chegaram a sair em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do
presidente, que é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Uma
faixa pedia ainda uma “intervenção militar agora” no País.
Imprensa é
criticada em ato em Belo Horizonte
Em meio a
críticas ao Congresso e ao STF, a imprensa também foi alvo de discursos em
carros de som no ato de Belo Horizonte. Uma equipe da Rede Globo de Televisão
chegou a ser expulsa por manifestantes da Praça da Liberdade, no centro da
capital mineira.
Um repórter e
um cinegrafista faziam cobertura do ato quando começaram a ser perseguidos e
hostilizados com palavrões. Os dois andaram cerca de 400 metros até entrarem em
um carro sem logomarca da rede de televisão.
Também houve,
porém, quem saiu em defesa das bandeiras principais da manifestação. O analista
de importação Natalino Nunes, de 48 anos, afirma que o pacote anticrime de Moro
é a saída para o fim da criminalidade no País. "Como está fica difícil o
governo proteger a sociedade. A gente está nas mãos dos bandidos. É preciso
reduzir a criminalidade. Eu tenho uma moto. Quando a estaciono, fico
preocupado, achando que vai ser roubada", diz.
Em Belém,
apoio a reformas e críticas à imprensa
Em Belém do
Pará, os manifestantes começaram a se reunir por volta das 9 horas, na
Escadinha do Cais do Porto, área turística da capital paraense. Sob sol forte,
caminharam pelas duas principais avenidas da cidade, Presidente Vargas e
Nazaré. No alto do trio elétrico, um cartaz exibia foto do ministro da Justiça,
Sérgio Moro, com apoio ao pacote anticrime.
Vestidos de
verde e amarelo, a maioria dos manifestantes optou por levar bandeiras para o
ato. Nos poucos cartazes encontrados, havia mensagens de apoio à reforma da
Previdência e críticas à imprensa. No trio elétrico, um locutor mandava recados
para os políticos. “Coalizão quem faz somos nós. Bolsonaro está rompendo com o
sistema e implantando nova forma de governar.”
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© Heliana
Frazão/Estadão Pautas como o apoio ao pacote anticrime
e CPI da Lava Toga foram comuns em diversas
cidades.
Na foto, Salvador (BA)
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No meio da
passeata, um grupo de motoqueiros pedia que os manifestantes não falassem com a
imprensa. Segundo ele, os jornalistas eram petistas infiltrados que estavam
querendo que os apoiadores do presidente respondessem a questionários.
O ato foi
encerrado, por volta de 12h, na avenida Doca de Souza Franco, área nobre da
capital paraense. Antes da dispersão, os manifestantes cantaram o Hino Nacional
e rezaram um Pai Nosso. Ao microfone, o locutor ainda fez uma última crítica à
imprensa — que, segundo ele, tentaria esconder a “grandeza dos atos”. A saída,
disse, era inundar as redes sociais com fotos e vídeos dos atos. “Você que
trouxe seu celular, que fez vídeo, poste nas redes para mostrar a verdade”. A
Polícia Militar do Pará informou que a manifestação reuniu cerca de 3 mil
pessoas.
Em Salvador,
críticas a Maia, Centrão e ‘parlamentarismo branco’
A manifestação em Salvador, capital baiana, ocupou a
orla da Barra e pregou a importância dos atos como forma de fazer o Congresso
“ouvir a voz do povo”. "Se Deus quiser, depois dessas manifestações eles
entenderão o recado", disse a presidente do PSL na Bahia, Professora
Dayane Pimentel, em cima do trio elétrico.
Não faltaram
gritos de "Eu vim de graça", "Essa manifestação é
espontânea" e críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao
Partido dos trabalhadores e ao governador da Bahia, Rui Costa, que é do PT. A
concentração começou por volta das 9h e às 10h30 os manifestantes saíram em
caminhada até o Morro do Cristo, percorrendo cerca de 1 quilômetro. Eles
levavam bandeiras do Brasil, faixas e cartazes com frases do tipo
"Centrão, Parlamentarismo branco, não" ; "Reformas Já",
"O Brasil está com Bolsonaro".
© Heliana
Frazão/Estadão Pautas como o apoio ao pacote anticrime e CPI da Lava Toga
foram comuns em diversas cidades. Na foto, Salvador (BA)
Durante o
trajeto, por duas vezes eles pararam e entoaram o Hino Nacional. Esbanjando
animação, a aposentada Ana Cristina Silva, de 68 anos, disse que participava do
evento por amor ao Brasil.
Já o motorista
Marivaldo Nascimento Melo, 59, que levou toda a família para a rua, afirmou que
a sua presença era uma forma de mostrar ao Centrão (grupo de partidos políticos
que tem se oposto ao governo) "que existem homens dignos e honestos no
país, que estão em defesa do governo e do Brasil". O filho dele, Miquéias
Melo, de 18 anos, tinha como objetivo mandar um recado ao presidente da Câmara
dos Deputados, Rodrigo Maia: "O país está de olho em você. Queremos a
aprovação das reformas importantes ao país".
O ato na
capital baiana chegou ao fim por volta de 12h. Na Bahia, houve manifestações
também nas cidades de Feira de Santana, Itabuna, Juazeiro e Vitória da
Conquista.
Manifestantes
pró-Bolsonaro arrancam faixa a favor da educação em Curitiba
Manifestantes
pró-Bolsonaro arrancaram uma faixa em defesa da educação
pública que estava afixada à fachada do prédio histórico da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, neste domingo, 26. O edifício fica na
praça Santos Andrade, local que costuma ser ponto de início de manifestações na
capital paranaense.
A faixa, na
qual se lia "Em defesa da educação #OrgulhoDeSerUFPR #UniversidadePública
#EuDefendo", foi retirada sob aplausos de manifestantes. Um deles afirma,
em vídeo que circula nas redes sociais, que "prédio público não pode ser
utilizado de forma ideológica".
O reitor da
UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, classificou a ação como
"inacreditável" em sua conta no Twitter.
Neste exato momento manifestantes retiraram, com
muitos aplausos, uma faixa no Prédio Histórico da UFPR em que estava escrito:
“Em defesa da educação”. Inacreditável.
Cidades do
interior também tiveram atos
Além das
capitais, municípios do interior também foram às ruas, em pequeno número, para
defender o governo. Em Campinas, São Paulo, o ato dos bolsonaristas em defesa
da reforma da Previdência e do pacote anticrime reuniu 3 mil pessoas, conforme
estimativa da Polícia Militar. Os manifestantes se reuniram no Largo do
Rosário, região central da cidade. Até o encerramento, por volta das 13 horas,
a PM não registrou incidentes. Já em Ribeirão Preto, a Polícia Militar calculou
em 6 mil pessoas o público que compareceu à manifestação.
Com faixas e
bandeiras do Brasil, o público se concentrou no cruzamento das avenidas 9 de
Julho e Presidente Vargas e saiu em marcha pelo centro. Agentes de trânsito
interditaram as vias principais. Não houve incidentes. Em Sorocaba, os dois
atos marcados reuniram, juntos, 480 pessoas, segundo a Polícia Militar.
Foram 400 no
que foi realizado no Jardim do Paço, em frente à Prefeitura, e 80 na
manifestação da Praça da Bandeira, região central da cidade. O protesto de
estudantes e professores contra o corte de verbas da educação, no dia 15
último, em Sorocaba, reuniu mais gente: 2,5 mil pessoas, segundo a estimativa
da PM na ocasião.
O Estado de
S. Paulo*




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