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© Marcelo
Camargo/Agência Brasil Rodrigo Maia, presidente
da Câmara
dos Deputados - 19/02/2019
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Constantino
concluiu o acordo de colaboração depois de se tornar réu em uma ação penal
aberta a partir das investigações da Operação Cui Bono, que apura um esquema de
corrupção na Caixa Econômica Federal. Na decisão de Vallisney que homologou a
delação, o presidente da Câmara é citado no Anexo 7, que trata de “benefício financeiro
a parlamentares ou ex-parlamentares” por meio da Associação Brasileira das
Empresas Aéreas (Abear). Não há maiores detalhes sobre como os “benefícios
financeiros” se davam.
Além de Rodrigo
Maia, foram incluídos no mesmo anexo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o
ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) e os ex-deputados Marco Maia (PT-RS), Edinho
Araújo (MDB-SP), Vicente Cândido (PT-SP) e Otávio Leite (PSDB-RJ).
Em seu acordo
de delação, que envolve onze anexos no total, Henrique Constantino se
comprometeu a ressarcir a Caixa e o Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS) e
a pagar 70,7 milhões de reais em “danos sociais”.
Temer, Cunha,
Geddel e Alves
Os relatos de
Henrique Constantino também tratam de pagamentos ao grupo político do
ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), que inclui o ex-ministro Geddel
Vieira Lima (MDB-BA) e o lobista Lúcio Bolonha Funaro, este também delator.
Segundo Constantino, o dinheiro destinado aos emedebistas era “contrapartida” a
medidas legislativas do Congresso Nacional, da Câmara Legislativa do Distrito
Federal, além de financiamentos junto do Fundo de Investimentos do FGTS
(FI-FGTS).
Um dos aportes
que envolveram propina a Funaro, segundo o delator, foi feito pelo FI-FGTS na
Via Rondon, consórcio para a construção do trecho oeste da rodovia Marechal
Rondon, do qual uma empresa de Constantino, a Comporte, era sócia. Lúcio Funaro
teria sido indicado por um empresário, João Jorge Chamlian, como alguém que
poderia destravar o aporte de recursos do fundo da Caixa, por ter influência
sobre o ex-vice-presidente do banco Fábio Cleto, afilhado político de Eduardo
Cunha.
Henrique
Constantino narra que Lúcio Funaro pediu 8 milhões de reais em troca da
aprovação da operação do FI-FGTS, mas que por fim pagou 4 milhões de reais,
montante repassado por meio de notas fiscais frias emitidas por empresas que
Funaro indicou. A propina teria sido paga quando o aporte foi aprovado, em
2012, através de desembolsos parcelados às empresas Viscaya e Dallas.
Ainda em 2012,
Funaro teria dito a Constantino que o grupo composto por Cunha, Geddel, o
ex-presidente Michel Temer e o ex-presidente da Câmara Henrique Alves (MDB-RN)
poderia influenciar outras decisões da Caixa a seu favor. Em uma reunião com
Temer, Cunha e Alves em Brasília, naquele ano, eles teriam pedido ao empresário
10 milhões de reais em propina em troca da “ajuda” indevida. Do quarteto de
emedebistas, apenas Alves não está preso.
O delator diz
que distribuiu o valor em pagamentos às empresas Viscaya e Dallas, indicadas
por Lúcio Funaro, além de ajuda financeira por meio de notas fiscais frias à
campanha de Gabriel Chalita (então no MDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012.
Quanto a Geddel
Vieira Lima, Henrique Constantino narra que uma linha de crédito de 50 milhões
de reais a uma de suas empresas, a Oeste Sul, liberada sob influência do
emedebista, rendeu a Geddel 250.000 reais. O ex-ministro está detido no
presídio da Papuda, em Brasília, desde setembro de 2017.
João Pedroso
de Campos

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