![]() |
©
//Reprodução Manuel Cristopher Figuera e Nicolás Maduro: general
admite que
cometeu um crime, mas diz que o fez para salvar a Venezuela
do “desastre”
|
O ex-chefe da
inteligência da Venezuela,
preso na semana passada por envolvimento na libertação do oposicionista
Leopoldo López, afirmou em uma carta aberta acreditar que Nicolás Maduro está sendo
manipulado por membros de seu governo.
O diretor do
Serviço Bolivariano de Inteligência Militar da Venezuela (Sebin), general Manuel Cristopher Figuera, foi
preso na terça-feira 30. Ele foi acusado pelo governo de ter jurado lealdade à
oposição e libertado López sem
autorização oficial.
Em uma carta
obtida pelo jornal espanhol El
Navío, Figuera afirma que sempre foi leal a Maduro, mas diz que o
presidente é “manipulado por vários grupos de poder que mentem para ele”.
Segundo o
general, muitos dos que estão ao redor do ditador “fazem parte de uma
cooperativa, uma sociedade de cúmplices”. Entre os membros do atual governo
acusados de manipular Maduro estão o presidente da Assembleia Constituinte,
Diosdado Cabello, o ministro das Indústrias, Tareck El Aissami, a
vice-presidente, Delcy Rodríguez, e o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.
Figuera também
aponta que o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o
presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno, fazem parte do
grupo que controla o poder por trás do presidente.
Na carta, o
general diz que os assessores de Maduro mentem e o fazem acreditar que ele se
mantém na Presidência apenas porque tem sua proteção e ajuda. “Maduro é um
homem bom”, diz.
O agora
ex-diretor da Sebin admite que cometeu um crime, mas diz que o fez para salvar
a Venezuela do “desastre” e o próprio Maduro da desgraça. “Não é segredo para
ninguém o estado de deterioração” da Venezuela, afirmou.
“Quero deixar
claro que sempre reconheci o Presidente Nicolás Maduro Moros como tal e como
meu Comandante Chefe”, ressaltou, afirmando que culpa os nomes por trás de
Maduro pela ruína do país.
Figuera disse
ainda que está disposto a se submeter à Justiça venezuelana por seus atos, mas
espera ter todas as condições para um julgamento justo. O militar, contudo, não
diz exatamente quais crimes cometeu ou admite ter sido responsável pela
libertação de López.
O general,
contudo, confessa ter removido da Sebin funcionários que extorquiam “prisioneiros
por razões políticas”, durante seu período como diretor. Também diz que tentou
convencer Maduro a convocar novas eleições.
Figuera não
menciona o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó na carta.
Leopoldo López
foi libertado na última terça-feira 30 e apareceu ao lado de Juan Guaidó em uma
manifestação na base aérea de La Carlota, em Caracas. O oposicionista afirmou
ter sido solto por militares por meio de um “indulto presidencial” do
presidente da Assembleia Nacional.
Na quinta-feira
2, o Tribunal Supremo de Justiça emitiu uma ordem de detenção contra López, que
cumpria desde 2014 uma condenação de 14 anos de prisão em Caracas, que foi
convertida para prisão domiciliar em 2017.
O ex-prefeito
de Chacao está atualmente refugiado na embaixada da Espanha em Caracas.
Deserções
Na terça, a
oposição anunciou a rebelião de um pequeno grupo de militares, denunciada por
Maduro como uma tentativa de “golpe de Estado”. Gauidó convocou a população a
sair às ruas todos os dias até que o regime chavista seja deposto.
A cúpula
militar, contudo, ratificou a adesão a Maduro. Até agora nenhum militar de alta
patente declarou publicamente seu apoio a Guaidó.
Porém o bispo
Mario Moronta de San Cristóbal, capital de Táchira, na Venezuela, afirmou que
cerca de 20 representantes da administração de Maduro pediram refúgio na
Conferência Episcopal Venezuela há cerca de 20 dias.
“Naturalmente,
a Igreja está aberta para proteger todos aqueles que exigem atenção”, disse,
segundo o site de notícias venezuelano Tal Cual. O religioso, contudo, não
mencionou quem são os funcionários.
O bispo também
denunciou um ataque sofrido por uma igreja católica de Táchira durante as
manifestações que ocorrem no país desde o dia 30 de abril.
De acordo com
Moronta, dois integrantes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), que apoia o
regime de Maduro, invadiram uma missa de moto. Quando o padre Jairo Clavijo
tentou pedir que saíssem, mais 40 guardas entraram e lançaram bombas de gás
lacrimogênio contra os fiéis.

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!